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Ocultando a Verdade

30 mar

Ocultando a Verdade
Retirado do site
http://www.deolhonamidia.org.br

Tudo se dá um “jeitinho” quando necessário. A mídia é prova cabal disso. Até quando é preciso reportar algo que contradiz a linha de um veículo – porque afinal é notícia – manobra-se para maquiar a matéria um pouquinho e informar desinformando o assunto. Foi assim o procedimento da Associated Press em matéria reproduzida pelo Estadão Online no dia oito de agosto na seção de Internacional.
Este texto foi indicado por Shay Cudek
Primeiro vamos aos fatos crus: terroristas costumam lançar mísseis Kassam sobre Israel. Alguns destes mísseis, por conta de sua imprecisão acabam por cair no próprio território de Gaza, se tornando uma armadilha frequente para transeuntes locais, principalmente crianças brincando. E as vezes, o pior acontece. No dia que esta reportagem saiu, foi o sucedido: duas crianças mortas e cinco feridas.
A Associated Press nos ensina como noticiar isto, sem jogar a culpa nas costas dos terroristas e ainda, de quebra, deixando no ar para leitores mais afoitos, que foi Israel o culpado. Afinal quem lê só títulos e manchetes (boa parte dos leitores brasileiros), o que vai achar de uma chamada assim: “Explosão em Gaza mata duas crianças e fere outras cinco” ? Porque será que quando se trata de Israel, aparecem manchetes assim: “Soldados israelenses matam…”, “Tanques israelenses atiram….”, “Avioes israelenses lançam misseís….”? Por que a diferença de tratamento? Por que deixar o leitor pensar que foi Israel (pensamento automático quando se vê explosões em Gaza) o responsável por estas ações? Por que?
Passemos então ao subtítulo. Este tem um toque de surrealismo explícito. Vejam só: “Ao brincar com dispositivo semelhante a um foguete caseiro crianças se deparam com o estrondo”.
Parece tudo obra do acaso. Apenas um “acidente”. Dispositivo “semelhante” a um foguete “caseiro”? E o que seria, “se depararam com um estrondo”?
Parece que as crianças tropeçaram em fogos de artíficio e sofreram um acidente. Não, elas não se depararam com um estrondo. Elas esbarraram com quilos de explosivos, cuidadosamente e premeditadamente preparados para matar crianças israelenses, iguais a elas, de sangue tão vermelho quanto.
Nas ínfimas vezes que os foguetes são mencionados em artigos e reportagens, só para garantir que o efeito deles seja minimizado, e os leitores não fiquem tão impressionados, a mídia abusa de adjetivos tais como “caseiros”, “artesanais”, “rudimentares” e “feitos em laborátorio fundo de quintal”, entre outros.
Clique aqui e veja o vídeo do Honest Reporting a respeito da situação em Sderot e chegue você mesmo as suas conclusões sobre os tais “foguetes caseiros”. De “caseiros”, eles tem muito pouco. Talvez não sejam os mais avançados do mundo, mas são bem eficientes em provocar terror, ferimentos e fatalidades.
E este “semelhante”, seria por acaso parente dos “supostos” que tanto aparece na mídia? Uma forma sutil de deixar uma leve dúvida no leitor se era mesmo um foguete, se foi um ato terrorista definitivamente, ou então na melhor das hipóteses, confundindo o leitor em vez de informa-lo?
E não é um mero acaso, descuido ocasional, pressa de tentar transmitir uma idéia complexa no subtítulo – uma confusão – pois a expressão se repete de novo no texto. Assim esta descrito no segundo parágrafo: “Uma testemunha disse que o grupo de crianças tropeçou em um objeto semelhante a um foguete caseiro e começou a brincar com ele”.
Imaginem o escândalo que os veículos de imprensa fariam se o “acidente” tivesse ocorrido com uma mina terrestre israelense ou algo do tipo? É bom lembrar que em outras vezes, acusado injustamente ou quando realmente por infelicidade de algum erro crianças foram atingidas, críticas e adjetivos não foram poupados a Israel.
E onde na matéria, os acontecimentos reais aparecem? Em lugar algum. A única menção distorcida a alguma coisa referente ao real motivo deste “acidente”, aparece no último parágrafo, também em algo beirando a tragicomédia: “A área é freqüentada para almoço de militantes que atiram foguetes para Israel. Nenhum grupo palestino é acusado pela explosão. O exército freqüentemente enfrenta militantes pelo espaço aéreo da região”.
Obviamente para entortar ainda mais a cabeça do leitor, a AP não poderia deixar de na única menção aos terroristas – devidamente suavizados no texto pelo rótulo de “militantes” – colocar em anexo a frase relacionada as operações israelenses. Quem sabe, no embróglio de informações, o leitor ainda compra a causa que a explosão foi causada por Israel. Afinal, segundo a AP, nenhum grupo palestino é acusado pela explosão.
Mas o top do top fica por conta da fantástica afirmação, “A área é freqüentada para almoço de militantes que atiram foguetes para Israel”. Quem sabe, os explosivos não sejam restos do lanchinho dos militantes, ou de seu café da manhã ?
Será que realmente a AP e o Estadão Online que republicou a nota não se emendam?

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Publicado por em março 30, 2009 em Uncategorized

 

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