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Sensacionalismo

01 abr
Fatah e Hamas: Cadê o Sensacionalismo?

Daniela Chaim

Sim, ele sumiu. Quando se trata da guerra interna entre Fatah e Hamas não existem fotos chocantes dos corpos dos mortos, nem exploração do fato de crianças terem sido assassinadas, mães chorando e títulos apelativos. Se Israel não está presente, que fim teria utilizar-se de sensacionalismo barato?

O fato não é novidade. Se voltarmos ao passado, no começo da década de 90, veremos que a mídia não liga a mínima para os palestinos, o que lhes incomoda é Israel.

Na guerra do golfo, a OLP apoiou Saddam Hussein na invasão do Kuwait. Aliados naturais, Arafat não viu porque deveria tomar qualquer outra decisão. Com a derrota do Iraque, o governo kuwaitiano decidiu se vingar e expulsar do país 400 mil cidadãos palestinos inocentes, que nada faziam, a não ser trabalhar por aquelas bandas.

Sabe o que o fato rendeu de notícias? Míseras linhas de rodapé na edição dos jornais do dia seguinte.

No ano seguinte, o então primeiro ministro de Israel, Itzhack Rabin, decidiu expulsar 400 MEMBROS DO HAMAS do país. Sabe o que isso rendeu de mídia?

Sete meses de notícias mostrando como os “pobres palestinos” padeciam de fome, frio e doenças.

Quando Israel não está na foto, o destino dos palestinos passa a valer muito pouco.

Devería-se cobrar da imprensa mundial agora fotos de palestinos mortos pelos próprios palestinos nessa atual briga de Hamas e Fatah.

Não se vê um bando de cinegrafistas e repórteres mostrando corpos de crianças palestinas sendo mortas por palestinos e nem de mulheres palestinas chorando seus mortos.

Se fosse um palestino morto por soldado israelense, teríamos imagens o dia todo na mídia e se fossem crianças então…daria capa de grandes publicações. Cadê a imparcialidade em cobrir o Oriente Médio??

O que falar então dos títulos das matérias? Geralmente se vê por ai, principalmente nas agências de notícias e portais online, textos com chamadas como, ” Soldados Israelenses Matam…”, “Helicopteros Israelenses Atiram…”, “Tanques Israelenses Disparam….”. E desta vez, como por mágica, sumiram as nacionalidades dos perpetradores da violência, e os títulos passaram para a voz passiva. O que se vê de manchetes? “Confrontos em Gaza deixam X mortos”, “Atentado em Nablus mata x crianças”.

Além de poupar o leitor de ter de descobrir que palestinos estão se matando entre si, não são tão inocentes assim, e que a culpa nem sempre é de Israel, como a mídia quer fazer crer, a jogada ainda produz um efeito colateral interessante: para um leitor mais desavisado, que só passe os olhos pela chamada, ou não leia com atenção a matéria, o mesmo ainda é capaz de acreditar que o responsável pelos “confrontos” e “atentados” é Israel.

De fato, a imprensa é sensacionalista. Mas, só quando convêm. Nesta onda de sequestros, assassinatos e violência, crianças não foram poupadas. Em um atentado em Gaza, filhos de um dos mais importantes membros do Hamas, foram mortos em uma explosão. Alguém viu a foto do atentado? Os corpos? Alguma coisa mais do que poucos segundos de imagem na TV? Condenações a ação da Fatah? Choro da mãe destas crianças?

Não, não é mesmo? Vamos ser bem sinceros: o tratamento dado nas duas situações é bem diferente, tanto quanto o tratamento dado a mísseis kassam que caem em Israel e as respectivas retaliações que ocorrem na sequência, de forma a defender o país destes ataques.

Em outras palavras, a mídia não se preocupa com o destino dos palestinos, bem como o de tantos outros povos sem terra ou em confllito no mundo. A mídia se preocupa por razões políticas, ideológicas, de anti-semitismo ou ainda por mera desinformação, somente em atingir Israel, achando que o país é a raíz de todos os problemas da região. O simples “não” dado as questões acima nos deveria dizer tudo. No entanto, deixamos a pergunta em aberto caso alguem tenha uma resposta melhor:

Cadê o sensacionalismo agora?

 
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Publicado por em abril 1, 2009 em Uncategorized

 

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