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Uma viagem na Marcha pela Vida

18 abr

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A MARCHA DA VIDA 2008

Finalmente chegou o grande dia: 28 de abril de 2008. O dia em que eu e mais 129 companheiros iniciamos a Marcha da Vida rumo a Polônia e Israel.

A animação dos companheiros de viagem era grande, parecia mais um bando de adolescentes prestes a gozar as férias depois de um difícil ano letivo. O entusiasmo era contagiante, todos se abraçavam timidamente quase sem se conhecerem. Não demorou muito para que essa timidez desaparecesse .

A minha viagem começou aqui mesmo na Vila Mariana, em São Paulo, no momento que embarquei numa “van” com mais oito pessoas rumo ao Aeroporto. O entusiasmo era geral, a gritaria era grande, todos falando ao mesmo tempo, e todo encolhido num canto admirando o grupo de jovens, adultos e mais uma senhora de 86 anos que comandava a alegria. Antes de chegarmos a Cumbica já sabia que se tratava da família do Márcio Steinbruch e a senhora de 86 anos era D. Esther o Aeroporto de Cumbica já estava em festa. Só se via pessoas com o agasalho da Marcha espalhadas por todo o saguão.

Chegamos a Zurich depois de um cansativo vôo de onze horas. Logo depois seguimos rumo a Varsóvia, nosso primeiro contato na escalada da marcha. No dia seguinte, depois de estarmos acomodados nos vários hotéis, logo cedo fomos divididos em três grupos, separados em três ônibus especiais de turismo e mais “três guias” para contar as historias horripilantes e cruéis do holocausto. Lá iríamos reviver os momentos mais dramáticos do povo judeus em toda sua história.

Varsóvia é uma cidade limpa, moderna, de grandes edifícios de arquitetura alegre, com hotéis de luxo, principalmente o Victória onde o meu grupo ficou hospedado.

Da janela dava para ver a grande praça, onde houve uma comemoração oficial, e ao fundo, bondes do principio do século passado ainda cruzavam as ruas.

Antes de nos acomodarmos nos ônibus ganhamos uma blusa com o clichê da Marcha, uma mochila e um porta garrafa com água.

Visitamos o que sobrou do gueto de Varsóvia, muros, cemitérios e sinagogas. Muitos monumentos em homenagem aos judeus assassinados se espalhavam por toda a cidade.

No dia 30 de abril viajamos rumo a Cracóvia.

Novas visitas ao cemitério, bairro judeu com suas sinagogas, gueto, muros, etc.

A cada parada o André falava, com riqueza de detalhes, o que tinha acontecido no local

Chegamos finalmente à fábrica de Schindler, com seus galpões enormes, onde os judeus eram obrigados a trabalhar por um pagamento irrisório, mas tinham suas vidas salvas das garras nazistas. Oscar Schindler figura como um dos JUSTOS por ter ajudado a centenas de judeus a se salvarem de uma morte certa.

A viúva de Schindler, Emilie, morreu em 2001, desconhecida e amargurada por ter ajudado centenas de judeus e nunca foi homenageada, sequer citada.

Em entrevista a uma rede de TV alemã, em 1999, ela contou:

“O que vi vai além da imaginação. Era impossível distinguir os homens das mulheres, eles pareciam esqueletos. A luz de seus olhos era como carvão no escuro. Ela conseguiu convencer os nazistas a mandar os judeus para a fábrica dirigida pelo marido que produzia munição defeituosa para a guerra.

Na fábrica, Emilie cuidou pessoalmente dos 250 judeus resgatados. Treze morreram ainda dentro dos vagões. Um imenso galpão se tornou quase uma UTI. Outros morreram mais tarde, mas 234 agradecem ou agradeceram pelo resto de suas vidas.

O último desejo de Emilie em vida era deixar de ser ofuscada pelos comentários sobre seu marido Oscar. Finalmente em 1994 Emilie recebeu o premio “o Justo entre as Nações”. (extraído da reportagem do Jornal do Brasil, de 07 de outubro de 2001)

No dia seguinte já estávamos em Auschwitz – Birkenau. Foi a pior parte da excursão. Até o tempo estava contra nós. Frio e chuvoso. Para não fazer feio, fiquei à margem das caminhadas, dentro de um pequeno museu do livro. Sentei-me um pouco e tomei um café.

No dia 2 de maio viajamos rumo a Lodz. Outra bomba emotiva. Conhecemos a “estação” de trens onde os judeus chegavam amontoados dentro dos vagões e iam direto para o “banho” não sem antes tirar suas roupas e demais pertences.

Depois de passar por Treblinka, Lublin e outros campos retornamos a Varsóvia e logo a seguir voamos para Israel.

Em Israel tomamos novo fôlego. Tudo se clareou, até o tempo esquentou, o céu de um azul maravilhoso e as flores com suas cores fortes desafiavam a terra arenosa que alimentava suas raízes. Por todo Israel, de norte a sul, nas cidades como nas estradas, nas vias públicas como nos jardins das residências, havia um cano fino de borracha, todo furado que gotejava água para alimentar as plantas.

E com esse sistema Israel vai expulsando o deserto para fora de suas fronteiras alguns poucos metros quadrados por ano.

Quando chegamos a Ierusalem sentimos um aperto no coração vendo toda a cidade embandeirada pronta para receber o Yon Haatzmaut. Ficamos orgulhosos vendo a estrela de David tremular por todas as ruas e prédios da cidade. Parecia o Brasil em fim de campeonato mundial com bandeirinhas presas nos dois lados dos carros, além do buzinaço.

Em sete dias que passamos em Jerusalem, fomos a muitos lugares bonitos e históricos, a começar por Tel Aviv, cidade bonita e moderna, à beira do Mediterrâneo, com sua marina de lindas lanchas. Chegamos a Tiberias e já de longe avistamos o Mar de Tiberias, que na verdade é um grande lago. Vimos o Parque Nacional de Cesaerea com o seu imponente teatro (ruínas) construído por Herodes.

Chegamos ao Parque Nacional de Masada, à margem oriental do Deserto da Judéa.

De cima tomamos um “bondinho” parecido com o da Urca, e descemos até

as bordas do mar onde assistimos a um vídeo sobre o local, sua história e localização. Depois visitamos as grutas, com suas passagens estreitas e escorregadias, ameaçadas pelo mar, que quase nos atingia.

Finalmente chegamos ao Mar Morto! Fadado a desaparecer pelo volume de evaporação e sem reposição por que não chove na região, o Mar Morto está a quatrocentos metros abaixo do nível do mar.

Lá tem toda uma estrutura turística, com um luxuoso hotel, bom restaurante e condução farta.

Fomos até Latrun, onde está o Museu dos Tanques (tanques que tomaram parte nas diversas guerras de Israel- seis ao todo) e Mini Israel, apresentando miniaturas perfeitas de várias partes de Israel, com movimentação de ônibus e trens. Até as plantas são naturais, aproveitaram a cultura japonesa e ornamentaram com Bonzai.

Como a memória do meu chip está cheia, não estou seguindo a ordem cronológica nem o roteiro geográfico. Na hora de fazer anotações sempre me faltava um lápis ou um pedaço de papirus, quer dizer papel; tenho a impressão que virei Israel de cabeça para baixo.

Chegamos a Haifa e fomos surpreendidos com a beleza do Palácio Bahai e seus admiráveis jardins.

Depois de toda essa maratona que durou seis dias voltamos a Jerusalem e tivemos a tarde livre, para o retorno no dia seguinte para o Brasil.

Assisti com tristeza o nosso grupo ir embora de volta ao Brasil e no instante seguinte já estava alegre por ter ficado em Jerusalem na casa do meu primo David Morag, ex embaixador de Israel para alguns paises da América do Sul e Caribe.

Era sexta feira á noite, e sua esposa Batia preparou uma mesa espetacular para receber o Shabat. Vieram duas das quatro filhas com seus respectivos maridos e filhos. Foi uma noite alegre e inesquecível.

Na manhã seguinte começamos uma nova excursão de turismo, tendo meu primo como guia. Conheci a Sinagoga Agadol, onde assistimos a liturgia do shabat e entramos na Sinagoga Yoshurum, onde me chamou a atenção um quadro com “leds” sempre acesos para homenagear seus entes queridos já falecidos.

Fiquei uma semana em Jerusalem e visitei o Museu do Livro com sua refrigeração toda especial, o Ministério das Relações Exteriores, etc. etc.

Vencida a semana viajei de ônibus para Tel Aviv onde me esperava a minha prima Sarah Opher. Logo a seguir fomos de carro para Herzlia onde ela mora.

Sexta feira á noite, novo jantar com os filhos e netos da minha anfitriã

Domingo fomos a Haifa, seus jardins e a ponte dos desejos, visitamos o porto, o primeiro da região e almoçamos por lá.

Uma tarde visitando Tel Aviv vi o lugar onde Iztsac Rabin foi assassinado.

Vencida a semana, nova despedida, dessa vez para o Brasil. Fiquei muito triste por ter que ir embora, mas no instante seguinte fiquei alegre por que iria rever meus parentes e antigos companheiros de viagem.

De toda essa viagem eu percebi que o israelí alimenta um medo velado. Em todo o território de Israel tem aproximadamente sete milhões de habitantes, desse total um milhão e meio de árabes. Muitos deles cidadãos nascidos em Israel.

A diferença é que a população judia cresce 1% ao ano, com exceção dos ortodoxos, enquanto os árabes crescem á média de 10% a.a. Isso significa que a democracia israelense não pode extirpar esse cancro que se instalou no coração de Israel.

E, fatalmente, um dia irá explodir, criando duas frentes de batalha para Israel: a interna (antigamente chamada de 5ª. Coluna) e a invasão externa. A proporção humana entre árabes e judeus é de 0,80%

Quero registrar aqui a minha gratidão pelo carinho recebido dos meus companheiros de viagem. Nas piores condições sempre tinha um oferecimento de ajuda, ou um braço amigo para me amparar a subir uma escada perigosa, ou mesmo em ambiente escuro demais, na verdade não sabia onde estava nem para onde ia (e continuo sem saber!).

Quero agradecer a ajuda que a companheira Sima me deu no aeroporto de Zurich. De repente eu me vi sozinho num emaranhado de escadas rolantes, esteiras e até um trem automático que nem maquinista tinha. Eis que Sima aparece puxando o meu braço e dizendo: Salvador é por aqui. Outra ajuda importante foi a da Ana. Depois que o grupo voltou ao Brasil eu estava em Tel Aviv e meu destino era Jerusalém. Com duas malas pesadas e com meu hebraico fabuloso de duas palavras: toda raba a Ana me salvou dizendo: “Salvador vem comigo, vamos alugar um carro e te deixo em Jerusalém”.

E assim terminou minha viagem de um mês

 
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Publicado por em abril 18, 2009 em Uncategorized

 

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