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Fumo Passivo – Mentiras e Verdades

21 abr
Os reais riscos do fumo passivo à saúde
Cientistas acusam os antitabagistas de usar interpretações erradas de estudos científicos
David Robson

Patrícia Stavis

DÁ PARA CONVIVER?
Um cliente fuma num bar em São Paulo (acima). Abaixo, um protesto de 2008 pela aprovação da lei antifumo. Cientistas põem em dúvida as evidências de que o fumo passivo esporádico mata

Sergio Castro/AE

Fui chamado de traidor”, diz Michael Siegel, médico de saúde pública da Universidade Boston, em Massachusetts. Um dos maiores líderes do movimento antitabagista nos Estados Unidos durante 21 anos e um dos responsáveis pela proibição do fumo em locais fechados em mais de 50 cidades americanas, Siegel foi duramente criticado depois de questionar publicamente argumentos científicos e políticas públicas em torno dos efeitos nocivos do fumo passivo. Sua postura surpreendeu colegas da área de pesquisa que até então confiavam nele como fonte constante de notícias.

Siegel usou um prestigiado fórum de discussão sobre fumo na internet – a Tobacco Policy Talk – para sugerir que a proibição ao cigarro na rua era uma medida extrema demais e que um dos argumentos para sustentar essa proibição era equivocado. Diante de seus pares, financiadores e potenciais futuros patrões, outros membros do fórum acusaram Siegel de ter recebido dinheiro da indústria de tabaco para dizer essas coisas. Quando Siegel bateu o pé, reafirmando seu ponto de vista, os administradores do fórum o excluíram da discussão. “Senti como se tivesse sido excomungado”, diz.

O caso de Siegel talvez seja o exemplo mais forte de uma tendência perturbadora do movimento antifumo. Questionamentos genuinamente científicos têm ameaçado derrubar as campanhas mais extremistas do movimento, mas os pesquisadores que ousam levantá-los estão sendo condenados ao ostracismo. Essa postura pode ser contraproducente.

Existe um consenso entre os pesquisadores de que a exposição de não fumantes à fumaça do cigarro (fumo passivo) em longo prazo aumenta o risco de doença cardíaca, câncer, doenças respiratórias e síndrome da morte súbita do bebê. Siegel não duvida que os fumantes passivos que respiram fumaça de cigarro regularmente sejam prejudicados. Ele e outros antitabagistas “hereges”, como o epidemiologista canadense Carl Phillips, da Universidade de Alberta, continuam achando que a máxima “Fumar faz mal à saúde” está correta. Mas desconfiam quando surgem estudos que afirmam, por exemplo, que apenas 30 minutos de fumo passivo podem elevar o risco de infarto de um não fumante ao mesmo nível de risco que corre um fumante. Ninguém duvida que o fumo passivo afeta o fluxo sanguíneo, mesmo no curto prazo, mas daí a inferir que isso aumenta o risco de derrame já seria, na opinião dos críticos, um exagero.

A polêmica aparece num momento em que políticas de restrição ao tabaco se consolidam em várias partes do mundo, com base justamente nessas alegações extremistas do movimento antitabagista. Acaba de ser aprovada no Estado de São Paulo uma lei que impede qualquer possibilidade de alguém fumar entre quatro paredes que não sejam de sua casa ou de algum amigo cúmplice, de uma tabacaria ou de um templo religioso em que o fumo faça parte de um ritual. Os fumódromos, áreas reservadas ao fumo que pela lei anterior podiam ser instaladas em qualquer lugar (empresas, bares, restaurantes ou hotéis), foram banidos no Estado. A lei foi recebida com duras críticas dos donos desses estabelecimentos. Eles acusam o governo de prejudicar seus negócios e criar uma segregação entre fumantes e não fumantes.

Para Siegel, o risco de basear a proibição ao fumo em locais fechados em inverdades ou dados científicos imprecisos é enfraquecer a credibilidade do movimento e sacrificar a saúde pública. Segundo ele, seria melhor admitir que, apesar de todas as evidências de que o cigarro tende a piorar a saúde de todo mundo, a maior parte das pessoas ficará bem se sua exposição à fumaça for esporádica. “Dizer a verdade seria suficiente para mostrar que o fumo passivo é tóxico”, afirma Siegel (leia o quadro na próxima página).

Os próprios estudos que dão base ao movimento antifumo, vistos com mais cuidado, suscitam dúvidas. Even Stanton Glantz, cardiologista e antitabagista da Universidade da Califórnia que conduziu um estudo recente sobre o efeito da fumaça do cigarro nos vasos sanguíneos, reconhece que há um exagero em torno das alegações que o estudo origina. “Um jovem de 25 anos, saudável, não vai cair morto de ataque cardíaco por respirar fumaça alheia”, diz.

Estudiosos como Siegel querem promover um debate aberto sobre a que tipo de conclusão as evidências científicas realmente permitem chegar, sem que as críticas sejam recebidas com censura. “É escandaloso pensar que, se Mike (Siegel) estiver correto, nosso campo de pesquisa seja culpado pelo mesmo tipo de ciência ruim que a indústria do tabaco perpetrou por tanto tempo”, disse Alan Blum, diretor do Centro para o Estudo do Tabaco e da Sociedade, na Universidade do Alabama.

 Reprodução

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Publicado por em abril 21, 2009 em Uncategorized

 

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