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>Ataque! O que fazer?

17 maio

>Folheto do exécito israelense dizendo o que as pessoas devem fazer em caso de ataque.
O texto é do Gabriel


e primeira vista, o folheto é tão feio, mas tão feio, que você só pode ter absoluta certeza que foi feito pelo exército. Parece feito de brincadeira, mas depois de ler, percebe-se que a coisa é tão ruim, e o efeito tão engraçado, que só pode mesmo ser humor involuntário do Comando da Retaguarda.

Trata-se de um folhetinho que anda sendo distribuído pelo exército para a população civil, explicando o que deve ser feito em “caso de emergência” (que aqui vai entre aspas, que na minha concepção, ter o Nataniahu como primeiro ministro já consta como sendo um caso de emergência – mas não foi isso que eles quiseram dizer, provavelmente).

A parte da frente é esse mapa daí. As cores foram tão mal escolhidas que só pode ter sido de propósito. Nenhum amador seria tão, mas tão perfeito em encontrar uma combinação pior.

E lá vai o texto do título “Estar Preparado Bem A Tempo!” (Aqui, reparem no mergulhadorzinho feliz e sorridente da parte de cima! É que cada cidade ou região foi caricaturada com um pequeno ícone ilustrado como se fosse um folheto de turismo. Como provavelmente faltaram elementos gráficos – e a verba é curta – reaproveitaram os iconezinhos ao longo do panfleto. Então, para alegrar a moçada, fizeram um copy/paste do iconezinho de Eilat ali na parte de cima).

Em baixo, o mapa, mostrando quanto tempo tem cada habitante de cada região para se virar no momento em que ouve uma sirene. Tá lá o quadro: 3 minutos (no Neguev), 2 minutos (aqui no centro e Jerusalém), 1 minuto e…. ZERO MINUTOS para o pessoal na zona vermelha! Ou seja, em outras palavras, o panfleto recomenda: comece a rezar!

Na região ao redor de Gaza, eles colocam o tempo em segundos. Fico muito feliz de ver um golfinho pulando dentro do território da Jordânia e um mergulhador pulando na água em Eilat no momento de uma sirene. E o que dizer do esquiador lá no Golan? Ele tem exatos ZERO SEGUNDOS para se proteger em caso de um ataque… Eu simplesmente faria como ele e seguiria sorrindo morro abaixo. Especialmente porque o inverno aqui foi fraquinho e a neve já acabou. (Aquilo no centro não é um teclado de computador pintado de marrom. É eventualmente – nós aqui supomos – o muro das lamentações. Em Tel-Aviv o ilustrador colocou os edifícios Azrieli).

O outro lado fica melhor ainda, pois ali se encontram as instruções de como agir quando se ouve uma sirene. Traduzo com inserções em itálico de minha pena. Começa com uma introdução extremamente tranquilizadora (e, como já se viu nos jornais, mais ou menos mentirosa):

O Comando da Retaguarda melhorou os sistemas de alerta [não em todo o país, e não de maneira comprovada] de forma que em caso de emergência, para cada região em Israel haverá um período de alerta diferente, de acordo com as instruções especificadas no mapa. A sirene será ativada através do sistema de alarme, apenas na região onde há perigo de queda de um foguete [o que, evidentemente, não leva em conta o fato de que armas não convencionais tem um dano enorme em um raio gigantesco, nem evidentemente o fato de que um foguete vindo do Iran chega em Israel em algo em torno de 20 minutos – tempo suficiente para rezar, dar tchau pros amigos e até uma rapidinha de despedida]. A sirene poderá ser ouvida também através do rádio e da televisão. Paralelamente, instruções do Comando da Retaguarda serão transmitidas através dos veículos de comunicação [sim, porque depois que você ouve a sirene, estando, digamos, no Neguev, tem 3 minutos para sentar na frente da televisão e ouvir o que esse pessoal tem a dizer a respeito de como sobreviver a uma explosão atômica – no Golan, na região vermelha, vai ter tempo de ouvir o porta-voz do exército dizendo “ehn…. Kabooom!”].

Logo embaixo, na parte azul, ha um quadradinho marrom. É um ímã. Legal, ne? Eles pensaram em tudo. No caso de emergência, ao se ouvir uma sirene, sujeito não vai saber o que fazer. Neste caso tem, nas melhores das hipóteses, 3 minutos para procurar as instruções (caso ele não se lembre que o Comando da Retaguarda ainda vai explicar tudo direitinho pela televisão – em 3 minutos). Assim, ao receber o papel, eles recomendam ao pobre pagador de impostos, que grude o dito na geladeira, que é o lugar mais lógico para se correr no caso de uma emergência – claro. Logo do lado direito (hebraico se lê da direita para a esquerda), debaixo de um naviozinho que parece que está sendo atacado por um monstro marinho mecânico (mais uma das ilustrações que originalmente foram feitas para o mapa) está o texto:

Como escolher o Espaço Protegido [eufemismo que significa Bunker]?

O Espaço Protegido se escolherá de acordo com o tempo necessário para se chegar ate ele ao se ouvir a sirene [pessoal do norte, já sabe, né?] e de acordo com os seguintes critérios:

  • M.M.D. (Espaço Protegido do Apartamento – sigla em hebraico – bem ao gosto do Exército) ou M.M.K. (Espaço protegido do Piso) são as opções preferíveis [quando, obviamente, você tem um à disposição].
  • Bunker – no caso de haver condições de chegar até ele no tempo designado [bom, especialmente porque em geral eles são mantidos trancados. Espero que em 2 minutos dê para achar alguém com a chave. Pessoal do norte: já sabe, né?].
  • Em não havendo MMD ou MMK ou Bunker temporário [o que vem a ser um bunker temporário?] há de se escolher um quarto interno da casa onde há o mínimo de paredes voltadas para o lado de fora, janelas ou aberturas.
  • Moradores do último andar em construção sem MMD ou MMK devem escolher as escadarias de um andar inferior como Espaço Protegido [o que é uma beleza de uma solução, tendo em vista o que vem adiante…]. Não devem ser escolhidos Cozinha, Banheiro ou Toalete [que nesses lugares a bomba é de outro tipo].

Bem, na coluna da esquerda, debaixo do camelo sorridente, o comando continua:

Equipamento recomendado para o Espaço Protegido:

  • Água – 4 litros de água para cada pessoa por dia. É recomendável reservar água para 3 dias. [Eu fico cá imaginando a pobre da família que teve que se organizar na escadaria do andar de baixo… por 3 dias… sem banheiro…].
  • Alimento – em embalagens fechadas como latas ou salgadinhos.
  • Iluminação de emergência ou lanterna, rádio com pilhas e extintor de incêndio.
  • Caixa de primeiros socorros [porque no caso de um ataque não convencional, no máximo vai dar tempo para os primeiros socorros mesmo].
  • Lista de telefones de emergência e parentes.
  • Jogos, jornais, livros, coisas que ajudem a passar um tempo agradável [sério. Juro. É a palavra usada ali. Agradável. Já pensou? Você e toda a família enfiada nas escadarias do andar de baixo, levando mísseis do Iran por mais de 3 dias, comendo só atum e milho em lata, sem banheiro, tentando passar um momento “agradável”? Eu fico cá imaginando… Que tipo de objetos eles sugerem para se passar um momento agradável? Um vibrador?!].
  • Televisão e computador com internet para manter-se atualizado [porque, sério, morrer ali dentro depois de 14 dias e só daí aparecer alguém para te avisar que a guerra já acabou faz 13 dias, seria ridículo].

E assim termina o delicioso panfleto do Exército. Mas como nós sabemos que o Presidente do Iran é de paz (conforme discursou na ONU) e ama a toda a humanidade, e como sabemos que o Hamas e o Hizbollah querem a total aniquilação de Israel apenas na teoria, nos conformamos com esse texto como artigo de ficção.

Blog Des – Oriente

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Publicado por em maio 17, 2009 em Israel

 

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