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>Perdigão engole a Sadia

19 maio

>A Brasil Foods (BRF), criada a partir da compra da Sadia pela Perdigão, é a terceira maior exportadora do país, depois de Vale e Petrobras, com presença em mais de 110 países, e almeja se tornar a maior exportadora de carne processada no mundo nos próximos anos. Os co-presidentes do conselho da nova empresa, Nildemar Secches (Perdigão) e Luiz Fernando Furlan (Sadia), anunciaram o acordo no fim da manhã desta terça-feira em São Paulo.

“Estamos criando um campeão, que provavelmente se tornará o maior processador de carne do mundo”, afirmou Furlan.

OS NÚMEROS DA SADIA E PERDIGÃO (Dados de 2008)
Fonte: Folha de S.Paulo
Empresa Sadia Perdigão
Receita Líquida R$ 10,7 bi R$ 11,4 bi
Lucro/Prejuízo -R$ 2,5 bi R$ 54 mi
Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) R$ 1,2 bi R$ 1,2 bi
Exportação R$ 5,6 bi R$ 5,1 bi
Funcionários 60.580 59.008
Fundação 1944, em Concórdia (SC) 1934, em Videira (SC)
Produtos/Segmentos Industrializados congelados, resfriados (de carne, além de massas), margarinas e doces Industrializados e congelados de carnes, lácteos, massas prontas, tortas, pizzas, folhados e vegetais congelados

Para o negócio ser confirmado, é necessária aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça. O órgão é responsável por avaliar se há concentração de mercado, com eventuais prejuízos aos concorrentes e aos consumidores.

Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”, o negócio é visto como um dos maiores desafios ao órgão antitruste tanto pelo tamanho da nova empresa quanto por envolver diversos mercados no setor de alimentos, o que aumenta bastante a complexidade da análise.

A união já faz da BRF a maior produtora e exportadora mundial de carne de frango, uma das principais processadoras de carne de porco e a maior abastecedora de alimentos industrializados no país. A previsão de faturamento anual da companhia é de R$ 22 bilhões.

“Era uma discussão quase que óbvia”, disse Secches em entrevista coletiva. “A missão da nova empresa é levar produtos e as marcas brasileiras para todo o mundo em um setor no qual o Brasil é o mais competitivo do mundo”, afirmou.

A composição do capital da empresa, segundo os executivos, será de 68% de acionistas da Perdigão e 32% da Sadia. Há alguns meses, a Sadia fez uma oferta hostil pela Perdigão.

Segundo analistas, o negócio ajudará a Sadia a se livrar das especulações negativas que vinham aumentando por conta dos resultados desfavoráveis nos últimos meses. A dívida bruta da empresa evoluiu de R$ 8,5 bilhões para R$ 9,4 bilhões de dezembro para março.

O controle, dizem Secches e Furlan, é inteiramente dos acionistas e será feito por profissionais. Furlan afirmou que sistema será de “governança compartilhada para que as empresas possam utilizar as melhores práticas de mercado”.

O acerto depois de 10 anos de negociações, com duas tentativas fracassadas no meio do caminho, veio a partir de conversas no fim de 2008. De acordo com Secches, a assinatura do contrato foi acelerada por não ter sido incluído o debate sobre o destino do Banco Concórdia, que pertence à Sadia e é controlado pelas famílias Fontana e Furlan.

“Simplesmente separamos e fizemos a associação da parte operacional”, afirmou Secches.

Desde o começo das negociações estava definido que o banco ficaria de fora da nova empresa, como um negócio independente, controlado pelas famílias Fontana e Furlan. No entanto, restavam duas questões pendentes: o que fazer com um contrato de prazo indeterminado que o banco possuía para explorar a cadeia produtiva da Sadia e como fazer a cisão desse ativo da empresa. A separação do banco envolvia a definição de quanto capital ele necessitaria para existir de forma autônoma.

Ficou decidido que o banco não terá um contrato para explorar a cadeia de fornecedores e clientes da Brasil Foods. Com isso, o banco perde sua razão inicial de existir. Caberá às duas famílias definir o seu futuro. Internamente, o banco vem desenvolvendo estudos para encontrar um novo foco de atuação.

No balanço do primeiro trimestre, a Concórdia Holding Financeira, que controla o banco e a corretora do grupo, tinha patrimônio líquido de R$ 81,5 milhões.

Ainda de acordo com os executivos, uma empresa externa vai ajudar a identificar os talentos de Perdigão e Sadia para atacar melhor o mercado.

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Publicado por em maio 19, 2009 em Brasil

 

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