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>Rolling Stones em 1965

16 jun

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IVAN FINOTTI
da Folha de S.Paulo

1965 foi o primeiro ano do resto das vidas dos Rolling Stones. Foi o ano em que eles gravaram “Satisfaction”. O ano em que explodiram mundialmente. O ano em que ficaram ricos, compraram seus primeiros carrões e suas primeiras casas. 1965 foi o ano em que o fotógrafo dinamarquês Bent Rej acompanhou os Rolling Stones.

Reprodução
Livro de fotos mostra vida dos Stones no ano em que se tornaram astros e compraram suas primeiras casas
Livro mostra Stones no ano em que se tornaram astros e compraram suas casas

Desde as apresentações em Copenhague, em março, até os retratos feitos nas novas casas de cada um deles, alguns meses depois, em Londres. É exatamente como na revista “Caras”. Só que, em vez de atores de novela, são Mick Jagger, Keith Richards e companhia, exibindo seu nobre mobiliário. “Mostrá-los como pessoas normais foi algo inédito na época”, contou Rej, 68, à Folha.

“Roqueiros eram como deuses e sua vida privada era secreta. Eu até hoje não sei como eles me deixaram fazê-lo”, diz o fotógrafo. Todo esse material, incluindo fotos de shows e de bastidores, foi reunido há três anos no livro “Rolling Stones – O Começo”, que sai agora no Brasil. A seguir, a entrevista.

Folha – Como começou sua história com os Rolling Stones?
Bent Rej – Em 1963, eu era um free-lancer fotografando atores escandinavos, a família real etc. Em 1964, bandas de rock britânicas começaram a aparecer na Escandinávia. Primeiro os Beatles; depois, Swinging Blue Jeans, Dave Clark Five etc. Comecei a fotografá-los também.

Folha – E os Stones?
Rej – Em março de 1965, os Rolling Stones chegaram e eu fui à coletiva de imprensa no Royal Hotel, em Copenhague. Naquela noite, acabamos na balada juntos. Por alguma razão, nos demos bem logo de cara. Tínhamos a mesma idade, o mesmo senso de humor e o gosto por Johnnie Walker com Coca.

Folha – Esse uísque era red ou black label?
Rej – Red label. Era o que bebíamos naqueles tempos. Fiquei junto deles no resto da turnê pela Escandinávia e fui o único fotógrafo permitido nos bastidores. Depois dos shows, Brian Jones voltou comigo para Copenhague e ficou na minha casa, onde morava com minha mulher e duas filhas. No ano seguinte, sempre que ia a Londres ficava na casa dele em Chelsea [bairro ao sul da área central]. Tinha meu próprio quarto e banheiro lá.

Folha – E como passavam os dias?
Rej – Brian ficava em seu quarto a maior parte do tempo, dormindo ou fazendo ligações. Ele falava muito com Bob Dylan. Eu saía para fotografar umas bandas, podia ser os Kinks ou The Who ou algo assim. Lá pelas 11h, a gente saía no Rolls Royce novo dele e ia para clubes como Ad Lib [onde John Lennon viajou de LSD pela primeira vez, em março de 1965] ou no Scotch of St. James [onde Jimi Hendrix estreou na Inglaterra, em setembro de 1966] para comer um bife e beber nosso uísque com refrigerante.

Folha – E os outros stones?
Rej – Encontrávamos nesses lugares, principalmente Mick [Jagger] e Keith [Richards]. Ou então encontrávamos Paul McCartney, George Harrison [ambos dos Beatles] ou Eric Burdon [cantor do The Animals]. Mais tarde, podíamos ir a festinhas, às vezes na casa de Tara Browne [playboy de família tradicional inglesa, cuja morte num acidente de carro em 1966 serviu de inspiração para “A Day in the Life”, dos Beatles], para tomar um drinque e fumar um baseado.

Folha – Fotografou essas festas?
Rej – Não. Eram festas privadas. Nós conversávamos, ouvíamos música e armávamos sessões de fotos para o dia seguinte. Não precisávamos de assessores ou agentes; fazíamos tudo nós mesmos.

Folha – E as casas deles?
Rej – Foi fácil com Brian. Eu estava lá o tempo todo, não houve problema. Charlie [Watts, o baterista] e Shirley viviam num apartamento de oitavo andar, no West End [área central de Londres], muito colorido, enquanto Bill [Wyman, o baixista] estava com a mulher e filho em Penge [subúrbio].

Folha – Até agora foi tranquilo.
Rej– Sim. Mas Keith não tinha uma casa; ele morava com os pais. Então, reservamos uma suíte no Hilton Hyde Park [centro] e fingimos que ele vivia ali. Ele gostou tanto que resolveu ficar. E morou lá alguns meses, o que fez nossa história virar autêntica! Finalmente, Mick vivia com Chrissie Shrimpton [modelo e atriz, namorada de Jagger entre 1963 e 1966] num apartamento de subsolo. Eles tinham acabado de mudar para lá, mas ele não quis fazer. Eu disse a ele que todo o meu trabalho com os outros seria perdido sem as fotos dele. E que eu ganharia um bom dinheiro com as fotos. Então ele concordou.

Folha – Até quando isso durou?
Rej – Em 1966, as drogas se tornaram mais banalizadas. Eu tinha 26 anos, uma mulher, duas crianças e ambições na fotografia de moda e de publicidade. Eu mudei meu estilo de vida. Segui minha carreira e eles, a deles. Deixei o rock para trás.

ROLLING STONES – O COMEÇO
Autor: Bent Rej
Editora: Larousse
Quanto: R$ 180 (324 págs.)

 
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Publicado por em junho 16, 2009 em Música

 

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