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>Seleção e não eleição

22 jun

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A cada instante uma nova situação se apresenta e corremos atrás dos acontecimentos. Ainda repercute o discurso do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e toma o lugar a reação popular ao anúncio do vencedor das eleições iranianas.

De um lado, Netanyahu respondeu aos discursos do Presidente americano, tanto no Cairo e na Alemanha. Disse que Jerusalém é indivisível, exigiu o reconhecimento de Israel como Estado Judeu, expôs os direitos dos quatro mil anos de história judaica na Terra de Israel– depois chamada Palestina, mas sempre judaica, e fez um agrado, dizem agrado desagradável, de apoiar um Estado Palestino desmilitarizado. Se Barak Obama quer o desmantelamento dos assentamentos judaicos em áreas judaicas previstas para uma futura Palestina árabe islâmica, Netanyahu quer manter alguns desses assentamentos, inclusive permitindo seu crescimento natural, como qualquer vila que cresce naturalmente.

Hillary Clinton e Obama se opõem. Avigdor Liberman, o Ministro do Exterior, fala que, ao invés de retirar assentados, para fazer uma Palestina islâmica judenrein, que se movam as fronteiras: onde houver assentamentos judaicos, ficam em território de Israel, e onde houver vilas com alta densidade de árabes, ficam em área da futura Palestina. Não está errado, pois não remove ninguém. Netanyahu ainda esclareceu que não foi o Holocausto que fez Israel, pois o movimento sionista tem mais de cem anos, e se Israel existisse antes, se implementado quando criado pela Liga das Nações, em 1920, ou se aprovada pelos árabes a Partilha proposta em 1937 pela Comissão Peel, tudo antes da Segunda Guerra, o Holocausto não teria existido. Estas foram as seleções de Netanyahu.

Aí o assunto se complica. Os árabes de Israel apóiam os palestinos, mas não querem ficar num Estado Palestino: querem continuar em Israel, onde ganham mais do que em qualquer país árabe, tem liberdade, melhores serviços, tanto em saúde como escolaridade. Aí reside o paradoxo, ou a hipocrisia. Não querem sair de Israel, não apóiam um Estado Judeu, mas querem uma Palestina islâmica. Por aí se vê que não há sinceridade, não desejando a paz. O próprio Presidente do Egito, Osny Mubarak, declarou que um Estado Judeu nunca será aprovado pelos árabes, apesar do Egito manter um Tratado de Paz com Israel, mas não o quer como Estado Judeu.

Na entrevista ao Wall Street Journal, Mubarak fala em definição já das fronteiras de um Estado Palestino contíguo, isto é, Israel que seja cortado ao meio. Mahmoud Abbas, o Presidente da Autoridade Palestina, fala o mesmo. Logo não há sinceridade de ninguém e não se poderá prever uma paz em curto prazo. Desejam estados árabes islâmicos, mas não aceitam um Estado Judeu. A exigência de um Estado Palestino desmilitarizado, feita por Netanyahu, é outra pedra no caminho de um acordo, mas a segurança de Israel não pode ser negligenciada.

O que se observa é que, enquanto a Al Queida é combatida por todos, o Hamas é aprovado por todos. Algo ininteligível combater o terror e aprovar terrorista. A França se entende com o Hamas, Jimmy Carter fala como Hamas, mas todos combatem a Al Queida. Entendam todo esse imbroglio.

De outro lado, o que Natinyahu classificou como o verdadeiro perigo, o Irã, está às voltas com seus problemas internos. Os acontecimentos se precipitaram com a declaração, ontem, do candidato preterido, Moussavi, de que está disposto a morrer, tornar-se mártir, mas conduzindo uma revolta contra os resultados oficiais da eleição, ou da seleção. Não há a menor dúvida de que o regime dos Aiatolás sofreu abalo, mas se cairá o regime, não se pode dizer, mas que houve a fratura, isto houve. O candidato preterido, Moussavi, foi quem iniciou o Programa Nuclear iraniano. Não se pode dizer que, dado como eleito, não seguirá a linha atual nesse assunto. Foi Ministro do Governo. Participou da criação do Hizbollah. Com a revolta que segue no Irã, fica claro que Moussavi bateu de frente com o Aiatolá Khamenei – um dos dois sairá vitorioso, e o outro desaparecerá. A situação é essa.

Os Estados Unidos estão em cima do muro: não querem fechar a porta a Ahmadinejad, pois ele pode sair vencedor com o esmagamento a sangue dos revoltosos; e Barak Obama precisa ter com quem negociar. O Presidente Lula já falou pró Ahmadinejad. Netanyahu ainda não se definiu. Para os Estados Unidos e também para Netanyahu, Moussavi deve seguir a política exterior, nuclear e de mísseis de Ahmadinejad. Caso se manifestem já por Moussavi, terão dificuldades para combatê-lo quando a política dele seguir a mesma linha de antes. Ficar contra Ahmadinejad é mais fácil, pois a grande maioria lhe é contrária. Mas Netanyahu ser favorável às mudanças granjearia a simpatia internacional. Eis a grande dúvida, como se posicionar no rumo certo. Qual a seleção certa neste caso?

Herman Glanz

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Publicado por em junho 22, 2009 em Iran

 

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