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>As mentiras que os árabes contam

02 jul

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Pilar Rahola
La Vanguardia – Barcelona

O nakba palestino, pois, não nasceu há 60 anos pela mão dos judeus. Nasceu o dia em que os árabes decidiram usar os árabes de Terra Santa para destruir um jovem Estado. E nunca mais deixaram de usá-los.


Morreu Irene Sendler, a mulher que salvou 2.500 crianças do gueto de Varsóvia. Durante anos não se soube de sua existência porque o comunismo nunca falou dela. Foram alguns norte-americanos que descobriram a façanha desta mulher que tirava crianças do gueto, escondia-as sob nomes católicos e guardava suas identidades em potes de conserva, debaixo de uma macieira. Condenada à morte pelos nazistas, foi resgatada pela resistência quando ia a caminho do patíbulo. Na prisão de Pawiak, encontrou uma imagem com a legenda “Jesus, em vós confio”. Conservou-a até o dia em que a deu de presente a João Paulo II. Descanse em paz esta mulher, justa entre os justos.

Dizem os que dizem conhecer o conflito árabe-israelense que o Estado de Israel nasceu graças ao Holocausto. Em parte, pois, dessa Europa com má consciência, Irene Sendler foi uma de suas poucas exceções. Esta afirmação, repetida até transformá-la num axioma do discurso antiisraelense é, no entanto, uma das muitas mentiras que enfeitam a história do conflito. Contrariamente, nem a Grã-Bretanha – que favoreceu o termo judenfrei, livre de judeus, quando criou o reino da Transjordânia – nem ninguém na Europa levou em conta o Holocausto, e os portos de todo o mundo se mantiveram fechados à chegada dos sobreviventes do extermínio. Só cabe recordar a tragédia do Pátria, com 1.700 judeus, que afundou em Haifa sem que os britânicos permitissem que ancorasse. Ou o navio Struma, que foi relançado ao mar aberto e naufragou no mar Negro, onde se afogaram centenas de judeus. Ou a tragédia do Exodus…

Se a criação do Estado de Israel chegou finalmente à ONU, há 60 anos, foi pela amargura dos judeus que, há séculos, sonhavam com essas terras, origem de toda sua memória. Mas foi, também, pela luta suicida que protagonizaram até conseguir o reconhecimento. A partir desse momento nasceu o Estado de Israel, que não teve nem um dia de sossego e que conseguiu sobreviver contra todos prognósticos. Não só sobreviveu. Também conseguiu consolidar uma democracia numa terra convulsa e avançou na ciência e na medicina. Entretanto, sua criação também é o inicio de um edifício de mentiras que construiu a mais flagrante distorção da história moderna. E nesse edifício se baseiam a maioria dos tópicos que criminalizam Israel. Sobre Israel não se analisa, mente-se, até o ponto que muitos dos solidários com a Palestina criam uma história paralela que nunca existiu.

Por exemplo, que a “Palestina sempre foi árabe”. Nunca existiu nenhum Estado árabe na Palestina, considerada pelos árabes parte da Síria. Desde o ano 1300 a. c. existiu um reino hebreu. Ou que “os judeus roubaram as terras dos árabes”. Mentira. Em 1947 os judeus tinham 463.000 acres: 45.000 comprados dos britânicos, 30.000 das igrejas e 387.500 dos latifundiários árabes, a maioria residente em Damasco. E assim até o infinito. O conceito de povo palestino tem 50 anos: nasce nos campos de refugiados jordanianos e foi usado por estes países para manter uma situação de guerra.

O resultado atual é a derivada da ingerência árabe, a corrupção de seus dirigentes, a inculcação do fanatismo, primeiro pan-arabista e agora islâmico, e a negativa muçulmana em ter como vizinho um país democrático. Se 60 anos depois ainda não há paz, fácil é culpar Israel, e não obstante nenhum outro país estar mais farto da guerra. Não os seus vizinhos, que continuam financiando o terrorismo, alimentando o ódio antijudaico e negando toda opção de paz. O nakba palestino, pois, não nasceu há 60 anos pela mão dos judeus.

Nasceu o dia em que os árabes decidiram usar os árabes de Terra Santa para destruir um jovem Estado. E nunca mais deixaram de usá-los. Podemos levantar bandeiras de ódio a Israel, como fazem tantos esquerdistas. Mas a verdade segue sendo persistente. Israel é o único Estado do mundo ameaçado de destruição. O único que tem que pedir perdão por existir. E o único que pode desaparecer. Sessenta anos depois, os descendentes da Shoah ainda não vivem em paz. E agora, como então, continuam levando o estigma da culpa. Nada novo, pois, sob o sol bíblico.

Tradução: Szyja Lorber

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Publicado por em julho 2, 2009 em Israel

 

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