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>A Hipocrisia da “ Ajuda Humanitária para Gaza “

16 jul

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Bloqueio Naval, segundo o Dicionário Aurélio, é um “cerco ou operação militar com que se procura cortar a um porto as comunicações com o exterior”.

Mesmo que o propósito da “frota da amizade para Gaza” fosse apenas humanitário (?), teria que se submeter a uma completa vistoria dos bloqueadores, até para provar as suas boas intenções e a sua isenção. Se não o fizesse, estaria mostrando claramente seu desejo de driblar o bloqueio naval, seja para esconder alguma coisa ou, simplesmente, para desafiar e provocar desnecessariamente os bloqueadores, sem a menor chance de sucesso. Guerra é assunto sério. Não é um palco para que alguns tenham seus dez minutos de fama na televisão, bancando de pseudo-heróis de araque. Tampouco é lugar para levar crianças para um “passeinho”, como foi feito.

Falando em forma genérica, que bloqueio que se preze seria esse se fosse “furado” por qualquer tipo de embarcação não autorizada pelos responsáveis do bloqueio? Se Israel os tivesse deixado passar, seria motivo de chacota e total desrespeito dos seus inimigos.

Tendo sido alertados inúmeras vezes pelos israelenses, que não deveriam tentar “furar” o bloqueio naval imposto a Gaza (ao Hamas na realidade) e ainda, dispondo de meios legais e aprovados por Israel (Cruz Vermelha Internacional e N.U.) para fazer chegar a tal possível ajuda humanitária, os ativistas, ao desafiar e enfrentar a Marinha Israelense, apenas deixaram escancaradas as suas reais intenções de arrastar Israel a um confronto, criando um cenário teatral para uma farsa internacional de péssimo gosto.

Quanto à abordagem israelense em águas internacionais, a mesma está amparada na Lei Internacional pelo Tratado de San Remo, de 1920(*), que permite abordar navios, mesmo em águas internacionais, que tentam atravessar bloqueios marítimos à revelia.

Obviamente que é para lamentar a morte dos nove cidadãos turcos, que só aconteceu porque eles tomaram a decisão de arriscar suas vidas, desafiando deliberadamente as forças militares israelenses. Eles mesmos declararam, antes de embarcar na Turquia, que queriam ser mártires. Atentem para o fato fundamental que os soldados da abordagem só atiraram depois de terem sido atacados e já correndo real perigo de vida, evidenciado até nas filmagens feitas pelos próprios ativistas. Não teria havido mortos nem feridos se os soldados não tivessem sido atacados.

A reação israelense à tentativa de quebrar o bloqueio foi mínima, a pesar dos mortos e feridos de ambos os lados, já que em outros tempos, em 1946 mais precisamente, a “gloriosa” marinha inglesa atacou com seus canhões desde longe e quase afundou um navio de passageiros realmente civis, de judeus sobreviventes dos campos de concentração que tentavam chegar às costas de Israel para reconstruir suas vidas. Mas havia um bloqueio naval inglês tentando impedir a chegada dos sobreviventes, para atender aos pedidos dos árabes. Naquele incidente houve uma enormidade de mortos e feridos, todos civis, a bordo do navio que tentava atravessar o bloqueio britânico. Esta é a forma clássica de dissuadir os navios que tentam quebrar um bloqueio naval: o afundamento com tiros de canhão, desde longe, para não correr riscos. Obviamente que Israel não fez nem fará uma coisa dessas, até porque não interessa que sejam perdidos os mantimentos realmente necessários para a população civil de Gaza e que não representem perigo potencial nas mãos do Hamas.

(*) O manual de San Remo, da Cruz Vermelha, que reúne as principais convenções da lei internacional usadas na questão de conflitos no mar diz que:

SECTION V : NEUTRAL MERCHANT VESSELS AND CIVIL AIRCRAFT
Neutral merchant vessels
67. Merchant vessels flying the flag of neutral States may not be attacked unless they:
(a) are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture;
(b) engage in belligerent acts on behalf of the enemy;
(c) act as auxiliaries to the enemy s armed forces;
(d) are incorporated into or assist the enemy s intelligence system;
(e) sail under convoy of enemy warships or military aircraft; or
(f) otherwise make an effective contribution to the enemy s military action, e.g., by carrying military materials, and it is not feasible for the attacking forces to first place passengers and crew in a place of safety. Unless circumstances do not permit, they are to be given a warning, so that they can re-route, off-load, or take other precautions.

Todos os items validam a ação israelense, assim como legitimam a reação dos soldados, mas aqueles em negrito são os particularmente relevantes: eles são suspeitos BEM razoáveis, anunciaram a intenção de violar o bloqueio antecipadamente, foram avisados e oferecidos uma alternativa de rota e para descarregar e rejeitaram os avisos.

Sérgio Sinenberg

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Publicado por em julho 16, 2010 em Islamismo, Israel

 

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