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Guerra de dor

21 mar

por Miriam Assor – Era Shabat. E Udi, Ruth, Yoav, Elad e Hadass não eram soldados. Deputados. Políticos. Não dispararam. Não faziam campanhas. A família Fogel dormia em casa.

A manápula sanguinária ateada de ódio interrompeu o sono dos inocentes com a faca da mortandade. Serrou gargantas, apunhalou corações, furou corpos, corpos pequenos, cândidos, matou-lhes o sangue com o requinte perverso que lhes é tradicional. Um casal e os seus três filhos resumiram-se a uma inundação hemorrágica.

Mortos, todos mortos por talhantes cobardes que matam por vontade, voracidade, método. Carniceiros canalhas que cortam aos pedaços crianças israelitas, quebram osso a osso, rasgam veia a veia até ao choro final. Bárbaros inqualificáveis que julgam ser o céu ao degolar uma bebé judia. As fotografias do massacre em Itamar tiraram o último fio de esperança que me restava.

Não nascerão palavras e acordos que substituem uma criança de quatro anos afundada num banho de morte vermelha. Uma criança de onze anos decepada. Uma bebé de três meses de laringe degolada ao lado do pai decapitado. Nem sobra diálogo com miseráveis que felicitam efusivamente o autor da chacina e que fomentam qualquer acto de terrorismo.

Quem amenizar a desmedida violência do crime pelo facto dos Folgel serem colonos aproxima-se do calibre desta atrocidade incompatível com a sociedade livre. Não clareará luz, sequer mini luz, nem mesmo luzência escura, quando tamanha monstruosidade é festejada com doçaria e danças. Mas não há, não há terrorista que consiga competir com a força de uma mãe que intenta desesperadamente salvar as suas crias.

Ruth Fogel foi a única que terá pressentido o olor azedo do morticínio. Assassinaram-na três vezes. A morte anjo é a vida justa que se segue. E está na memória carregada de lágrimas, na força enlutada que desfaz o sonho, no rochedo de 5771 anos de História, num país que enterra civis e soldados que defendem a pátria e um Povo.

Vive, viverá dentro de nós; nós que trocamos caminhões apinhados de terroristas por dois caixões com militares.

Miriam Assor é jornalista e reside em Portugal.

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Publicado por em março 21, 2011 em Terrorismo

 

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