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Normas de reportagem para o Oriente Médio

01 abr

Lenny Ben-David
Da próxima vez que acompanhar o noticiário sobre Israel, assegure-se de saber ler nas entrelinhas.

Todos os meios de comunicação têm seu manual de estilo, elaborado de maneira tão clara e imparcial quanto possível. Hoje em dia, contudo, parece que o Ministério de Comunicação Palestino é quem publica e distribui seu manual a dezenas de jornais e outros veículos de comunicação.
Desde setembro de 2000, surgiu um novo “manual de estilo” de fato para os repórteres que cobrem a violência palestina contra Israel. Em alguns casos, as novas “normas de reportagem” são definidas pela própria linha editorial dos órgãos de informação.

Apesar do aspecto evidente de “jornalismo de encomenda”, é pouco provável que mãos conspiratórias estejam por trás de um desses manuais de estilo de fato. Na maioria das vezes, repórteres e correspondentes os adotam de modo informal, talvez até, de certa forma, sem plena consciência do que estão fazendo.

Invariavelmente, as novas regras são tendenciosas contra Israel.
Até agora, a tendenciosidade parece ter causado um impacto pequeno na opinião pública americana sobre Israel. Já na Europa, onde o tom antiisraelense é mais forte, mais estridente, o efeito é outro.
Seguem-se oito “normas” de reportagem sobre o Oriente Médio, extraídas de centenas de artigos e noticiários:

Regra nº 1 – Sensacionalize a intensidade e o alcance das ações militares israelenses.

Chame-as de “agressivas”, “devastadoras” ou “intensas”. Refira-se às incursões aos territórios palestinos como “de grande extensão”, mesmo quando se trata de apenas 250 metros.
Por outro lado, refira-se a ataques de morteiros palestinos como “ineficazes” ou “sem vítimas”, embora a intenção dos que atiram com os morteiros seja malévola.

Manifestação de palestinos.

Regra nº 2 – Suavize a violência palestina.

Não rotule as explosões de bombas e os tiroteios contra civis judeus como “terrorismo”, nem os perpetradores de “terroristas”. Diga “militantes” ou “ativistas”. Bombas plantadas no meio de mercados públicos israelenses não são “terrorismo”.

Manifestação de palestinos.


Justifique diferenças na abordagem. Por exemplo, ao referir-se a atentados do IRA como “terroristas”, a BBC News Online alegou: “Nosso noticiário doméstico sempre usou ‘terroristas’ para a Irlanda do Norte… mas a política do noticiário internacional é a de não qualificar ninguém nesses termos”. Segundo a editora da BBC Newshour, Maya Fish, “a palavra ‘terrorista’ nunca é usada em nosso noticiário internacional, não importa quem plante bombas, destrua ou mate.”

Regra nº 3 – Culpe os assentamentos judeus.

Atenue a agressão palestina chamando as vítimas israelenses de “colonos” e os locais dos atentados de “assentamentos” ou “territórios ocupados”. Designe os arredores de Jerusalém, como Gilo ou French Hill, por “assentamentos” e “enclaves de colonos” – ainda que esses locais sejam parte de Jerusalém há trinta anos e abriguem dezenas de milhares de famílias judias de classe média. Quando possível, também chame de “assentamentos” as cidades localizadas na Linha Verde*, como Sderot.

Vá além e refira-se a todas as vítimas judias como “colonos” – quer se trate de um garoto de quatorze anos ou de um bebê de dez meses.

Desumanize os residentes judeus de Jerusalém, da Cisjordânia e de Gaza reunindo-os em uma entidade civil ampla, como faz o The New York Times ao se referir a “soldados, colonos e civis israelenses”.

Regra nº 4 – Condene os líderes israelenses; solidarize-se com Arafat.

Diga sempre de Ariel Sharon: “linha-dura”, “criminoso de guerra”, “repudiado pelos árabes” ou “demolidor”.

Nunca diga de Yasser Arafat: “ex-terrorista”, “belicoso”, “corrupto” ou “despótico”. Sempre que possível, angarie-lhe solidariedade por sua idade avançada ou seu Mal de Parkinson.

Regra nº 5 – Culpe Israel por todas as mortes palestinas.
Culpe Israel, seja por “acidentes de trabalho” em fábricas de bombas palestinas, manifestantes atingidos por tiros palestinos destinados a soldados israelenses, ou feridos durante tumultos gerados por um atentado suicida ou uma explosão de ônibus.

Crianças israelenses que foram mortas em sua casa, enquanto dormiam, por um terrorista palestino.

Árabes mortos em acidentes automobilísticos também podem ser creditados a Israel. No começo de outubro de 2000, muitas versões culpavam os israelenses pelo espancamento seguido de morte de Issam Judeh Mustafa Hamed. Em 2 de novembro, patologistas indicados pela Autoridade Palestina concluíram que Issam Judeh havia morrido em um acidente de trânsito. É desconhecido o número de “mártires” que tiveram morte natural, ou foram mortos em acidentes e disputas internas.

Além disso, refira-se a crianças palestinas como traumatizadas, órfãs, assassinadas ou gravemente feridas – mesmo que pelas próprias balas ou bombas palestinas. Nunca mencione as crianças israelenses vitimadas pelos ataques palestinos.

Regra nº 6 – Empregue os verbos da maneira adequada.

Use a voz passiva para descrever as mortes palestinas – “foi morto a tiros” ou “foi abatido” por soldados israelenses.

Por outro lado, use o intransitivo para não evidenciar a culpa palestina. Diga que o tiroteio “irrompeu”. A manchete sobre a morte de Shalhevet Pass, o bebê de dez meses assassinado por um atirador palestino, dizia: “Criança judia morre na Cisjordânia”.

Quando possível, justaponha duas mortes, responsabilizando os israelenses por uma delas e deixando a outra sem autoria. Por exemplo: “Durante confrontos perto da aldeia de Dura, na Cisjordânia, um menino palestino de onze anos foi morto pelas tropas israelenses. Testemunhas dizem que o menino observava a troca de tiros entre soldados israelenses e atiradores palestinos, quando foi atingido no peito. Na segunda-feira, um bebê israelense de dez meses foi morto em tiroteio nas proximidades de Hebron”.

Regra nº 7 – Compense uma morte israelense, mencionando uma morte palestina sem qualquer relação com a primeira.

Compense uma atrocidade dos terroristas, como a explosão de um ônibus, com a morte de uma mulher idosa ou de uma criança palestina, mesmo que esta tenha ocorrido muito tempo antes da outra.
Noticiando a chocante carnificina de dois adolescentes israelenses perto de Tekoa, a CNN deu à matéria o título “Encontrados mortos dois adolescentes israelenses” e colocou logo embaixo a foto de um bebê palestino morto uma semana antes.

Em outra reportagem, a CNN noticiou: “Um israelense foi morto e outros ficaram feridos em atentados nas estradas da Cisjordânia nesta terça-feira. Os ataques aconteceram em seguida a explosões e confrontos em Gaza e na Cisjordânia que tiraram sete vidas palestinas”. Esse foi o relato, apesar das explosões em Gaza terem sido um “acidente de trabalho” em uma fábrica de bombas palestina.

Regra nº 8 – Invoque nomes árabes para os lugares santos.

Use termos árabes para os locais sagrados, mesmo quando o termo em hebraico for o padrão em qualquer enciclopédia, texto acadêmico,

Vista do Monte do Templo, que os árabes e grande parte da mídia chama de "Esplanada das Mesquitas".

documento diplomático ou outra fonte aceitável no Ocidente.

Evite chamar o Monte do Templo de “o local mais sagrado do judaísmo”, ou Jerusalém de “a capital dos judeus há três mil anos”. Referências ao Monte do Templo devem ser qualificadas como meras pretensões: “que Israel reivindica ser o local do Primeiro e do Segundo Templos”.

De preferência, o Monte do Templo é “Haram al Sharif, o terceiro local mais sagrado dos muçulmanos”, ou “o lugar mais santo para os muçulmanos em Jerusalém”. Por contraste, nunca diga que Hebron, onde estão as tumbas dos patriarcas judeus, é “o segundo local mais sagrado do judaísmo”, nem que o sepulcro de Raquel, perto de Belém, é “o terceiro local mais sagrado para os judeus”.

Quando necessário, descubra um termo árabe bem obscuro, para aplicá-lo, por exemplo, à Porta de Jaffa, a entrada principal para a Cidade Velha de Jerusalém: “Bab al-Khalil”.

Conclusão

Mesmo que não seja uma “conspiração”, estabeleceu-se uma “convenção” antiisraelense nos meios de comunicação. Como esse “manual de estilo” se desenvolverá nos próximos tempos? Tudo depende dos resultados dessa batalha que está sendo travada na mídia. (extraído de http://www.aish.comhttp://www.beth-shalom.com.br)

Lenny Ben-David serviu como diplomata israelense em Washington de 1997 a 2000. Ele é consultor de várias empresas e organizações, como a http://www.HonestReporting.com.

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Publicado por em abril 1, 2011 em Midia

 

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