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18 maio

Declaração unilateral do Estado Palestino: Mais do mesmo.

por Abraham Foxman – Se as Nações Unidas reconhecerem um Estado Palestino, em setembro, haverá aqueles que vão tentar comparar este caso com a criação do Estado de Israel em 1948, quando cinco países árabes invadiram o nascente Estado Judeu. Nota-se que as coisas foram viradas de cabeça para baixo, em 63 anos. Israel e seus apoiadores serão difamados e condenados ao ostracismo por ficar no caminho das aspirações palestinas.

De fato, a verdade é que tal desenvolvimento reflete que a realidade não mudou muito em todo esse tempo.

Assim como em 1948, quando o mundo árabe se recusou a aceitar a legitimidade de um Estado Judeu com base na partilha da Palestina num Estado Judeu e outro Árabe, isso continua hoje a ser o cerne do problema. E a razão pela qual a liderança palestina tem recusado negociar com Israel e no lugar disso tem preferido um movimento unilateral por um Estado Palestino.

Ao longo dos anos há um caminho contínuo de predominância deste tema, mesmo quando foram feitas declarações contra. Em 1948 assumiu a forma de rejeição de uma solução de dois estados e da guerra contra o Estado Judeu. Durante vários anos depois, houve o boicote árabe a Israel. Depois da guerra de 1967 houve os três Nãos – ao reconhecimento, as negociações, a paz – em Cartum. A OLP manteve a sua plataforma para a década de 1990 que chamava à destruição de Israel. E então, quando os palestinos pareciam finalmente se movendo em direção a aceitar a legitimidade do Estado Judeu , novas versões de hostilidade visceral surgiram, versões que às vezes mascararam as velhas intenções, mas por baixo continuaram as mesmas expressões.

Às vezes ela se manifestou em apoio de ou equivocadamente em relação ao terrorismo direcionado a Israel.

Outras vezes apareceu no ensino e na pregação do ódio contra o Estado Judeu, nas escolas, mesquitas e na mídia palestina. E um novo elemento entrou na equação quando o Hamas, grupo extremista islâmico com sua plataforma embebida de anti-semitismo e rejeição a Israel, venceu as eleições e se apoderou de Gaza.

Mais significativamente, apesar da retórica mais suave de alguns líderes palestinos, o núcleo da negação palestina da legitimidade de Israel continuou mesmo quando as negociações estavam acontecendo. Não só houve relutância em aceitar a definição de que Israel é um Estado Judeu (linguagem que estava no plano de Partilha das Nações Unidas, em 1947), mas a negativa palestina de renunciar ao “direito ao retorno” dos refugiados palestinos a Israel sinalizando aos israelenses que a guerra contra o Estado de Israel não havia terminado. O “direito ao retorno” era entendido no sentido de que Israel seria inundado com os descendentes dos refugiados originais trazendo a morte do próprio conceito de Israel com o Estado do Povo Judeu.

É neste contexto histórico que impulsionar o Estado Palestino unilateralmente deve ser visto. No coração da permanente necessidade de negociações sempre esteve à busca de Israel de obter dos palestinos a aceitação da legitimidade de Israel. Isso é o que explica a insistência do então primeiro ministro Ehud Barak em Camp David em 2000 de que qualquer acordo final exige um fim do conflito e um fim a todas as exigências do mesmo. De uma vez por todas aceitem o Estado Judeu.

E a história até o momento sugere que os palestinos, mesmo quando eles trabalham para o estabelecimento de um estado próprio, enxergam tudo através da ilegitimidade de Israel. Isso aparece na sua recusa de negociar com Israel nos últimos dois anos. O motivo alegado é que Israel continua a construir assentamentos. De fato, as negociações no passado, nas quais Israel ofereceu grandes concessões ocorreram mesmo com assentamentos sendo construídos. Ainda mais significativo é que se o objeto fosse trazer o fim à construção de assentamentos e até mesmo o desmantelamento desses assentamentos, as negociações seriam um assunto de primeira ordem nos negócios. A falta de vontade dos palestinos de sentar a mesa com os israelenses numa última análise, nos leva de novo ao núcleo da questão.

Isso se torna ainda mais evidente com outras duas tendências: o impulsoe que dão os palestinos à campanha de deslegitimação contra Israel e a unidade ao reconhecimento internacional do Estado Palestino.

Embora ambos os esforços estão enquadrados como uma reação à intransigência de Israel – a continuação da “ocupação”, a construção de assentamentos – o que eles realmente têm em comum é o mesmo fenômeno antigo: não ter que aceitar a legitimidade de Israel. O boicote, a retirada de investimentos e sanções (B.D.S[1]), estas campanhas contra Israel, por vezes, estão enquadradas focando na ocupação por parte de Israel, mas subjacente está a tentativa de rotular Israel com a etiqueta de “Apartheid”, não apenas pelo seu tratamento dado aos palestinos, mas pela própria existência do Estado Judeu.

Escutem a Omar Barghouti, considerado o fundador do movimento BDS:

“Algumas pessoas dizem que o BDS não é justo e não é eficaz.Mas Israel é uma democracia apenas para um grupo étnico. O movimento BDS liderado pelos palestinos chama Israel de um estado de Apartheid”A principal refutação disso é que Israel permite que os palestinos votem

É 1948 mais uma vez.

E assim chegamos à declaração unilateral de um Estado Palestino. A pergunta óbvia sobre esse desenvolvimento é por que os palestinos procuram esse resultado quando poderiam ter obtido muito mais através das ofertas feitas em Camp David e em Anápolis, que eles recusaram? A resposta é óbvia: teriam que ter aceitado a legitimidade de Israel, em troca do seu próprio Estado. Agora eles aparentemente obtêm sua própria legitimidade enquanto ainda continuam envolvidos na guerra contra Israel. Com efeito, se as Nações Unidas votam para apoiar a declaração unilateral de um Estado Palestino, a guerra para deslegitimar Israel vai decolar muito mais que no passado.

Que o mundo pareça prestes a comprar este modelo mais recente, de sinistro objetivo é uma tragédia. Porque é que tem e o quê fazer a respeito, são assuntos para um futuro comentário.

[1] B.D.S. Sigla para Boycot, Desinvestiment, Sanctions, que pode ser traduzido como Boicote a Israel, Retirada dos investimentos estrangeiros e Sanções internacionais.

Abraham Foxman é o Diretor Geral da Liga Anti-difamatória, a ADL, famosa entidade judaica americana dedicada à luta contra o anti-semitismo.

Tradução: Alberto Milkewitz

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Publicado por em maio 18, 2011 em Israel

 

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