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O sonho viável

24 jun

Santos Tri campeão da Libertadores da América

Este blog não costuma falar de futebol, mas com a conquista do tri campeonato da Libertadores da América pelo meu time do coração, o Santos FC, abriremos uma exceção.
Reproduzimos esta bela matéria do Antero Greco do Jornal O Estado de São Paulo.

Futebol é esporte danado pra mexer com a gente. E não é que o Santos comoveu pra chuchu, na virada de quarta para quinta-feira?! A conquista do tri da Libertadores emocionou, foi daqueles episódios de arrepiar e arrancar lágrimas de marmanjos tatuados com caveiras no bíceps. Só os que não gostam mesmo de esporte – e sei que tem um outro insensível – passaram batidos pela noite épica no Pacaembu. Coitados, não sabem o que perderam, almas atormentadas…

Sem ser presunçoso, garanto pra você que a alegria não se limitou aos santistas. Um bocado de torcedores de outros clubes também partilhou da euforia alvinegra. Faz sentido. Para o público em geral, é simpática a geração de Neymar & Ganso. Dá gosto ver esses rapazes em ação. Eles são a reafirmação de que o Brasil mantém inabalável sua vocação para espalhar talentos pelo mundo.

Não foi só. Há outra categoria de fã de futebol que apoia o Santos por razões sentimentais e nostálgicas. Me incluo nessa. São pessoas que já passaram bem dos 40 anos e embicaram nos 50 em diante. Essa turma de veteranos cresceu no auge da era Pelé, ou no mínimo pegou um rabicho daqueles anos dourados. Um período contagiante.

Quem viveu lembra. Mesmo quem não torcesse para o Santos não conseguia passar indiferente às travessuras do Rei e seus súditos. O Santos era o Brasil no futebol, só ficava abaixo da seleção na preferência popular. Nos enchia de orgulho por onde quer que fosse. Até título mundial decidiu no Maracanã!

Hoje falar uma coisa dessas soa mais falso do que político comendo pastel e tomando caldo de cana na feira em época de eleição. No fim dos anos 1950 e nos primeiros 1960, era fato. Juro por Deus! Você que é mais novo pergunte a seu pai, ou melhor ao vovô, e veja o que ele dirá. Se for mentira, pode me espinafrar.

Botafogo, Palmeiras e, um pouco depois, Cruzeiro também tinham timaços, se metiam a encarar o Santos, mas não eram nem sombra daquela orquestra que na linha de frente tinha uma nota musical formada por Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Esse quinteto entoa-se de um fôlego só e espalhou arte, encantamento nesta terra de Jesus (para ficar no clima do feriado).

Os 2 a 1 sobre o Peñarol resgataram aquela geração. Enquanto via a festa de Elano, Rafael, Adriano, Danilo, voltei no tempo e relembrei de Zito, Gilmar, Dalmo, Mauro a festejar conquista semelhante. O Santos voltou ao topo da América – e gente como Gilson, Wandeco, Paquetá, Robertinho, Oricchio, Fausto, Xico, na noite de quarta-feira revisitou o passado, a infância. Os cabelos brancos, a pança farta, os reumatismos não pesaram. Estou certo de que choraram e ficaram com uma vontade doida de bater bola na praia, nos campinhos de terra, na rua. Eu iria com eles…

Escrevi ontem que não usarei mais a expressão Meninos da Vila, ao me referia aos moços campeões da América. A conquista da taça os transformou em homens, são os novos Gigantes da Vila. Souberam superar-se, deram a volta por cima (com a participação especial de Muricy Ramalho) num momento em que a desclassificação parecia inevitável e não pararam mais, até os gols, o quebra-pau e a volta olímpica de anteontem.

Botei fé no Santos – a prova pode ser encontrada na crônica publicada na sexta-feira, dia 18 de março, bem no auge da desconfiança em torno do time. O título era: “O Santos está vivo”. No artigo, defendia a reação, apostava em futuro promissor, com a ressalva de que não era louco nem otimista incorrigível. Apenas constatava aquela fase como transitória. Muricy veio, ajustou o setor defensivo, acalmou os atletas. O resto veio junto.

Agora, por exemplo, me atrevo a dizer que o Santos tem todo o direito de sonhar grande para o Mundial do fim do ano. Precisa da ousadia de acreditar na possibilidade de bater o Barcelona, se vier a encontrá-lo. O time espanhol é das coisas mais lindas que há no futebol atual, favorito sem dúvida. Mas não imbatível. Estou com os santistas também nessa “viagem”.

Um detalhe a ser levado em conta: a diretoria do Santos deve ter o atrevimento supremo de impedir o desmanche. Hora de testar a criatividade, o poder de persuasão, de convencer o mercado a bancar o grupo até dezembro. Neymar e Ganso, obrigatoriamente incluídos no pacote. É a chance de mostrar preparo para a conquista do mundo. Depois, solte a rapaziada por aí… e que todos sejam felizes.


 
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Publicado por em junho 24, 2011 em Arte, Futebol

 

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