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Não é roubando a Palestina, é comprando Israel

26 jun

por Daniel Pipes
National Review Online
21 de Junho de 2011

http://pt.danielpipes.org/9950/roubando-palestina-comprando-israel

Original em inglês: Not Stealing Palestine but Purchasing Israel
Tradução: Joseph Skilnik

 Os sionistas roubaram terras palestinas: é esse o mantra que tanto a Autoridade Palestina quanto o Hamas ensinam aos seus filhos e disseminam na mídia. Essa alegação tem uma importância enorme, conforme explica o Palestinian Media Watch: “Apresentar a criação do estado [israelense] como um ato de ladroagem e a continuação de sua existência como uma injustiça histórica serve como base da AP para o não reconhecimento do direito de Israel existir”. A acusação de roubo também corrói a posição de Israel internacionalmente.
Imaginação palestina: Um tubarão como Estrela de Davi devora a Palestina.

Contudo, essa acusação é verdadeira?

Não, não é. Ironicamente, a criação de Israel representa uma das mais pacíficas migrações e criações de um estado na história. Para entender porque, requer considerar o sionismo no contexto. Colocado de maneira simples, conquista é a norma histórica, em todos os lugares governos foram estabelecidos por meio de invasões, praticamente todos os estados se formaram às custas de alguém. Ninguém fica permanentemente no comando, as raízes de todo e qualquer indivíduo se originam em algum outro lugar.

Tribos germânicas, hordas da Ásia Central, czares russos e conquistadores espanhóis e portugueses redesenharam o mapa. Os gregos modernos têm apenas uma conexão tênue com os gregos da antiguidade. Quem é capaz de enumerar quantas vezes a Bélgica foi invadida? Os Estados Unidos foram criados com a derrota dos americanos nativos. Reis saquearam a África, os arianos invadiram a Índia. No Japão, os falantes do idioma Yamato eliminaram praticamente a todos, menos alguns minúsculos grupos como o Ainu.

O Oriente Médio, devido a sua centralidade e posição geográfica, viu a sua cota de invasões passar da conta, incluindo os gregos, romanos, árabes, cruzados, seljúcidas, timúridas e europeus modernos. Na região, ressentimento e tormento dinástico fizeram com que o mesmo território – o Egito por exemplo – fosse conquistado e reconquistado.

Muitas guerras por Jerusalém: O imperador Tito celebra a sua vitória sobre os judeus em 70 d.C. com uma arca mostrando soldados romanos retirando uma menorá do Templo do Monte.

A terra que constitui o Estado de Israel de hoje, não é exceção. Em Jerusalem Besieged: From Ancient Canaan to Modern Israel, Eric H. Cline escreve sobre Jerusalém: “Por nenhuma outra cidade se combateu de maneira tão implacável através de sua história”. Ele fundamenta a alegação enumerando “pelo menos 118 conflitos distintos, em e por Jerusalém durante os últimos quatro milênios”. Ele calcula que Jerusalém foi destruída por completo ao menos duas vezes, sitiada 23 vezes, capturada 44 vezes e atacada 52 vezes. A AP fantasia que os palestinos de hoje são descendentes de uma tribo do antigo Canaã, os jebusitas; de fato, mas a maioria esmagadora é descendente de invasores e imigrantes a procura de oportunidades econômicas.

Contra esse quadro de conquistas, violência e golpes incessantes, o empenho sionista em construir uma presença na Terra Santa até 1948 se destaca como espantosamente moderada, mais mercantil do que militar. Dois grandes impérios, o otomano e o britânico governaram Eretz Yisrael; contrastando, os sionistas careciam de poder militar. Eles não poderiam alcançar a soberania por meio da conquista.

Como alternativa, compravam terras. Adquirir propriedade quilômetro quadrado por quilômetro quadrado, fazenda por fazenda, casa por casa, estava no coração do espírito empreendedor sionista até 1948. O Fundo Nacional Judaico, fundado em 1901 com o objetivo de comprar terras na Palestina “para ajudar na formação de uma nova comunidade de judeus livres comprometidos com atividades produtivas e pacíficas”, foi a instituição chave – e não a Haganah, a organização de defesa clandestina fundada em 1920.

Os sionistas também se concentraram na reabilitação do árido e do considerado imprestável. Eles não só fizeram o deserto florescer como também drenaram os pântanos, limparam os canais de água, recuperaram terras devolutas, reflorestaram colinas despojadas, removeram rochas e retiraram sal do solo. O trabalho de recuperação e saneamento judaico reduziu radicalmente o número de mortes relacionadas a doenças.

Somente quando a potência mandatária britânica desistiu da Palestina em 1948, imediatamente seguida pelo ataque dos países árabes usando todos os recursos e meios disponíveis para esmagar e expulsar os sionistas, que eles tiraram a espada da bainha em legítima defesa e passaram a adquirir terras através da conquista militar. Mesmo então, segundo demonstra o historiador Efraim Karsh em Palestine Betrayed, a maioria dos árabes fugiram de suas terras, sendo que um número extremamente reduzido foi forçado.

Essa história contradiz a explicação palestina de que “gangues sionistas roubaram a Palestina e expulsaram a sua gente”, que levou à catástrofe “sem precedentes na história” (de acordo com um livro escolar do 3º ano do ensino médio da AP) ou que os sionistas “pilharam as terras e os interesses nacionais palestinos e estabeleceram seu estado sobre as ruínas do povo árabe palestino” (conforme escreve um colunista no diário da AP). Organizações internacionais, editoriais de jornais e petições de faculdades reiteram essa falsidade em todo o mundo.

Os israelenses deveriam andar de cabeça erguida e salientar que a construção do seu país baseou-se no movimento menos violento e mais civilizado do que qualquer outro povo da história. Gangues não roubaram a Palestina, comerciantes compraram Israel.

 
4 Comentários

Publicado por em junho 26, 2011 em Israel

 

4 Respostas para “Não é roubando a Palestina, é comprando Israel

  1. Daniel Limaverde de Moura

    junho 28, 2011 at 2:58 am

    Sou professor numa escola pública de Manaus e realmente, quando o assunto é o conflito árabe-israelense, meus colegas que ministram a disciplina de História também são da mesma opinião do lado palestino. Por não conhecer tão bem esta disciplina, as vezes não sei como rebater essas opiniões defendidas com argumentos que me fogem ao alcance. Porém estou de acordo com as ideias deste artigo. As terras de Israel sempre foram de Israel, a história bíblica que o diga. Com certeza nos falta mais conhecimento sobre a questão palestina, que muitos acham que sabem demais a respeito e chegam a conclusões por vezes preconceituosas e infundadas.

     
    • tonihuff

      junho 28, 2011 at 8:55 am

      Oi Daniel!
      Infelizmente hoje no Brasil este assunto é distorcido pela mídia e mesmo nas escolas, ele é ensinado com viés favorável aos palestinos.
      É um absurdo, mas a maioria dos professores tem tendencia para a esquerda e a esquerda não gosta dos judeus e Israel.
      Espero que venha ao blog mais vezes e leia o outro lado, o lado dos judeus. Obrigado pelo comentário.

       
  2. Daniel Limaverde de Moura

    junho 29, 2011 at 2:21 am

    Olá, tonihuff.
    Realmente as coisas são assim mesmo, eu já tive que ouvir até mesmo pessoas “esclarecidas” dizerem que foi ótimo o 11 de setembro, que o holocausto foi um mal necessário, porque os judeus estavam dominando tudo na época (imagine que absurdo!) Eu conheço bem pouco sobre judeus e o Estado de Israel, mas está claro que muitos colegas de profissão dão sinais de ignorância bem maior que a minha em relação a estes assuntos. Quanto ao lado dos judeus estou convencido de que se lutam, se atiram, é por questão de sobrevivência. Estou convencido também de que há uma grande movimentação na mídia e na política (injusta) contra os mesmos. O povo judeu mostrou ser capaz de superar as piores situações que lhes foram impostas e acredito que desta vez não será diferente.

     
    • tonihuff

      junho 29, 2011 at 9:07 am

      Oi Daniel!
      Infelizmente vc. tem razão, existem muitas pessoas no mundo que pensam assim, o antissemitismo depois de anos meio escondido
      está voltando com força total, o estado de Israel que em 63 anos saiu do zero para se tornar um país de primeiro mundo, causa muita
      inveja. A região do Oriente Médio ainda está na idade média e o surgimento de um país moderno causa medo entre os governantes.
      Eles acham que o seu povo vai reclamar a modernidade de Israel para eles. Hoje com internet, mídia sociais, celulares, todo mundo
      pode ver o que se passa no mundo. Israel e o povo judeu vai continuar se defendendo, afinal é o único lugar do mundo que os judeus
      não podem ser atingidos. Se vc. quiser se inteirar mais do assunto leia o blog do Gustavo Chacra do jornal O Estado de São Paulo.
      Diariamente existem vários leitores comentando lá. Os pró Israel e os pró terroristas. As vezes nos encontramos em bares de S. Paulo
      para conversar. O jornalista se tornou nosso amigo e as vezes participa dos eventos. Ele mora em Nova York, mas é de S.Paulo.
      Endereço para entrar: http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/
      Vc. vai aprender bastante.

       

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