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A criação do estado palestino

01 jul

por Sergio Sinenberg – Comentários sobre devoluções territoriais e a criação do estado palestino.

Perder territórios é um dos riscos que corre um país que ataca a outro que se defende (“Da Guerra”, Karl von Clausewitz). Na Guerra dos Seis Dias, a Jordânia foi derrotada e assim perdeu o controle e a soberania sobre Jerusalém Leste e toda a “Cisjordânia”, ao atacar Israel, conjuntamente com Síria e Egito, em junho de 1967, com o intuito de destruir todo Israel e não apenas suas forças armadas. Queriam invadir e usurpar todo o território israelense, oriundo da criação do Estado de Israel, referendada pela Assembléia Geral das Nações Unidas. Não respeitaram as fronteiras de 1948, fixadas pela ONU. Queriam destruir Israel e “empurrar os judeus ao mar”.

Dar aos palestinos de mão beijada Jerusalém Leste (assim como a Cisjordânia), é negar o resultado da Guerra de Junho de 1967 e as causas que levaram a ela. As rodas da História não voltam atrás. Além do mais, se fosse para devolver algum território, teria que ser para o dono anterior, que era a Jordania e não os palestinos. Acontece que a Jordania não reivindica essa devolução, pois sabe muito bem que perdeu em definitiva o direito à soberania sobre Iehudá (Judeia) e Shomron (Samária), também chamadas de Cisjordania) e Jerusalém Leste, quando perdeu a Guerra dos Seis Dias, guerra na qual não precisava entrar, pois Israel não a teria atacado se ela não o tivesse feito antes.

Que ninguém esqueça, por favor, que os árabes nunca aceitaram a Partilha da Palestina e depois a consequente Proclamação da Independencia do Estado de Israel, em maio de 1948. Logo, é incrivelmente cínica e falsa a reivindicação deles e dos que os apóiam, que Israel deveria “voltar às fronteiras vigentes até antes da Guerra dos Seis Dias”, considerando que os árabes nunca reconheceram nem aceitaram essas fronteiras. É barganha de mercador barato, para tentar “enganar o cliente” no suk (mercado árabe), só que não funcionará, pois “o cliente” está alerta e não cairá nessa armadilha vil e desonesta para onde tentam empurrá-lo os palestinos e seus aliados, alguns deles com as melhores intenções, mas poucos conhecimentos da História Antiga e recente da região.

Os países que conquistaram territórios de outros estados e povos por meio de invasões militares e anexações, jamais devolveram nem sequer parcialmente, as terras conquistadas pela força das armas, com ou sem razão. O mundo considera isto como “normal”, pois segue as Leis da Guerra (*). Certas ou erradas, são as práticas costumeiras da humanidade ao longo da História:

– China invadiu e anexou o Tibet sem pedir licença a ninguém. Quem lhe exigirá que o devolva aos seus habitantes nativos?
– Alemanha perdeu a Prússia Oriental e outros territórios, após ser derrotada na Segunda Guerra Mundial e nem cogita reivindicá-la de volta da Polonia.
– Inglaterra não pretende restituir as Ilhas Malvinas à Argentina e tampouco abre mão da Irlanda do Norte.
– Os Estados Unidos nunca cogitaram devolver a Califórnia e o Texas ao México. A Rússia considera-se a dona legal das Ilhas Kurilas, conquistadas ao Japão na 2ª Guerra Mundial.
– Os franceses sentem-se donos de parte da Polinésia e da Guiana “francesa”, na América do Sul. Alguém contesta seu direito?
– Ninguém questiona o direito do Chile para “construir casas e ampliar cidades” nas províncias de Tarapacá e Atacama, que eram do Perú e da Bolívia até a Guerra do Pacífico, vencida pelo Chile.
– Espanha não planeja atender aos anseios de emancipação política e territorial do País Basco e da Catalunia.
– Turquia (o primeiro ministro Erdogan, para sermos justos), permite-se censurar e criticar Israel em altos brados pela guerra de Gaza de 2008/2009, mas massacra os curdos até além da fronteira iraquiana, totalmente insensível às iniciativas libertárias deles para a criação de um estado curdo. Aliás, até hoje os turcos não pediram perdão oficialmente e, muito menos, indenizaram os Armênios pelo genocídio cometido contra eles a começos do século 20. Nem sequer admitem seu crime contra a humanidade. Que dupla moral é essa???

A lista é interminável. E a total falta de pudor dos críticos de Israel é escandalosa.

Exige-se dos israelenses o que ninguém fez nunca: que devolvam territórios que os agressores árabes perderam justamente em guerras iniciadas por eles. Que permitam a criação de um estado palestino sem a menor garantia que, depois de criado, os grupos terroristas não o usem como base de operações para tentar destruir Israel, como já o fazem Hezbolláh, desde o Sul do Líbano e Hamás, desde Gaza. Que cedam aos palestinos um pedaço da sua capital.

Que mais os cínicos imorais querem de Israel? Que desapareça? Que seja anulada a decisão soberana das Nações Unidas em 1947? Que Israel faça de contas que não foi atacado pelos países vizinhos em 1948, 1967, 1973 e o tempo todo, desde Gaza e o sul do Líbano? A quem querem enganar?

(*) “Da Guerra”, de Karl von Clausewitz, estrategista militar prussiano do séc. XIX.

 
1 comentário

Publicado por em julho 1, 2011 em Palestinos

 

Uma resposta para “A criação do estado palestino

  1. Daniel Limaverde de Moura

    julho 2, 2011 at 1:11 am

    Muitos empenhados em destruir Israel até sabem disso, porém a obsessão que os domina por varrer Israel do mapa é bem maior que as verdades deste artigo. Essas pessoas são contra Israel porque o são e acabou-se, é assim que eles pensam… perfeitos extremistas, irredutíveis, cegos…
    Mas com certeza há muita gente por aí, gritando contra os judeus que não dispõem de tais informações. Que bom seria que dispusessem delas.

     

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