RSS

Discurso de Benjamin Netanyahu na ONU

27 set

Benjamin Netanyahu: Obrigado, Sr. presidente. Senhoras e senhores, Israel estendeu sua mão em paz a partir do momento em que foi estabelecido, há 63 anos. Em nome de Israel e do povo judeu, eu estendo aquela mão hoje de novo. Dirijo-a para o povo do Egito e da Jordânia, com renovada amizade de vizinhos com os quais fizemos a paz. Dirijo-a ao povo da Turquia, com respeito e boa vontade. Dirijo-a ao povo da Líbia e da Tunísia, com admiração por aqueles que tentam construir um futuro democrático. Dirijo-a aos outros povos do norte da África e da península arábica, com quem queremos criar um novo começo. Dirijo-a ao povo da Síria, Líbano e Irã, com admiração à coragem daqueles que lutam contra a repressão brutal. Mas sobretudo, eu estendo minha mão para o povo palestino, com quem buscamos uma paz justa e duradoura.

Senhoras e senhores, em Israel nossa esperança por paz nunca diminui. Nossos cientistas, médicos, inovadores aplicam sua genialidade para melhorar o mundo de amanhã. Nossos artistas, nossos escritores, enriquecem o patrimônio da humanidade. Agora, eu sei que essa não é exatamente a imagem de Israel que muitas vezes é retratada nesta sala. Afinal, foi aqui em 1975, que o antigo anseio do meu povo, de restaurar a nossa vida nacional em nossa antiga pátria bíblica, foi então tratado em vez disso, vergonhosamente, como racismo. E foi aqui em 1980, aqui mesmo, que o histórico acordo de paz entre Israel e Egito não foi elogiado, foi denunciado! E é aqui, ano após ano, que Israel é injustamente apontado para condenação. É apontado para condenação mais frequentemente do que todas as nações do mundo combinadas. Vinte e uma das 27 resoluções da Assembleia-Geral condenam Israel – a única verdadeira democracia no Oriente Médio.

Bem, esta é uma parte triste da instituição da ONU. É o teatro do absurdo. Não só Israel é elencado como o vilão, mas muitas vezes vilões reais assuemm papéis principais: a Líbia de Kadafi presidiu a Comissão das Nações Unidas sobre Direitos Humanos; o Iraque de Saddam dirigiu o Comitê da ONU sobre o Desarmamento. Vocês podem dizer: isso é passado. Bem, aqui está o que está acontecendo agora – agora, hoje. O Líbano, controlado pelo Hezbollah, agora preside o Conselho de Segurança da ONU. Isto significa, com efeito, que uma organização terrorista preside a instância encarregada de garantir a segurança do mundo. Vocês não poderiam deixar isso ocorrer.

Então, aqui na ONU, maiorias automáticas podem decidir tudo. Elas podem decidir que o sol se põe no oeste, ou sobe no oeste – acho que a primeira já foi decidida anteriormente. Mas eles também podem decidir – eles já decidiram – que o Muro das Lamentações, em Jerusalém, lugar mais sagrado do judaísmo, é território ocupado palestino. E mesmo aqui na Assembleia-Geral, a verdade às vezes pode aparecer. Em 1984, quando fui nomeado embaixador de Israel nas Nações Unidas, visitei o grão rabino de Lubavich. Ele me disse – e senhoras e senhores, não quero que nenhum de vocês se ofenda por isso, porque da minha experiência pessoal de servir aqui, eu sei que há muitos homens e mulheres honrados, muitas pessoas capazes e decentes servindo suas nações aqui. Mas aqui está o que o rabino me disse: Ele me disse: “Você vai servir em uma casa de muitas mentiras”. E então ele disse, “lembre-se que, mesmo no lugar mais escuro, a luz de uma única vela podem ser vista por toda parte”.

Hoje espero que a luz da verdade brilhará, mesmo que apenas por alguns minutos, em um salão que por muito tempo tem sido um lugar de trevas para o meu país. Então, como primeiro-ministro de Israel, eu não vim aqui para ganhar aplausos. Eu vim aqui para falar a verdade. A verdade é – a verdade é que Israel quer a paz. A verdade é que eu quero paz. A verdade é que no Oriente Médio em todos os momentos, mas especialmente nestes dias turbulentos, a paz deve ser ancorada em segurança. A verdade é que não podemos alcançar a paz através de resoluções da ONU, mas apenas através de negociações diretas entre as partes. A verdade é que até agora os palestinos se recusaram a negociar. A verdade é que Israel quer a paz com um Estado palestino, mas os palestinos querem um Estado sem paz. E a verdade é que vocês não deveriam deixar isso acontecer.

Senhoras e senhores, quando eu cheguei aqui há 27 anos, o mundo estava dividido entre Oriente e Ocidente. Desde então, a Guerra Fria terminou, grandes civilizações se levantaram de séculos de sonolência, centenas de milhões de pessoas foram retiradas da pobreza, incontáveis mais estão a ponto de sair também, e a única coisa notável é que até agora essa mudança monumental histórica em grande parte ocorreu de forma pacífica. No entanto, um tumor maligno está crescendo entre Oriente e Ocidente ameaçando a paz de todos. Ele procura não libertar, mas escravizar, não construir, mas destruir.

Essa nocividade é o Islã militante. É o manto de uma grande fé, que ainda assassina judeus, cristãos e muçulmanos com imparcialidade implacável. Em 11 de setembro matou milhares de americanos, e deixou as Torres Gêmeas em chamas e ruínas. Na noite passada, eu coloquei uma coroa de flores no memorial do 11 de Setembro. Foi profundamente comovente. Mas quando eu estava lá, uma coisa ecoou em minha mente: as palavras ultrajantes do presidente do Irã neste pódio ontem. Ele deu a entender que o 11/9 foi uma conspiração americana. Alguns de vocês deixaram esta sala. Todos vocês deveriam ter deixado.

Desde o 11/9, militantes islâmicos abateram inúmeros outros inocentes – em Londres e Madri, em Bagdá e Mumbai, em Tel Aviv e Jerusalém, em toda parte de Israel. Acredito que o maior perigo que nosso mundo enfrenta é que este fanatismo vai se armar com armas nucleares. E é precisamente isso que o Irã está tentando fazer.

Você pode imaginar o homem que vociferava aqui ontem – você pode imaginá-lo armado com armas nucleares? A comunidade internacional deve parar o Irã antes que seja tarde demais. Se o Irã não for parado, vamos todos enfrentar o fantasma do terrorismo nuclear, e a primavera árabe poderá em breve tornar-se um inverno iraniano. Isso seria uma tragédia. Milhões de árabes tomaram as ruas para substituir a tirania por liberdade, e ninguém se beneficiaria mais do que Israel se aqueles comprometidos com liberdade e paz prevalecessem.

Nosso maior aeroporto internacional está a poucos quilômetros da Cisjordânia. Sem paz, nossos aviões vão se tornar alvos de mísseis antiaéreos disparados do lado do Estado palestino? E como é que vamos parar o contrabando na Cisjordânia? Não é apenas a Cisjordânia, são as montanhas na Cisjordânia. Elas se sobrepõem às planícies costeiras onde a maioria da população de Israel fica. Como poderíamos evitar o contrabando dos mísseis que poderiam ser lançados em nossas cidades nessas montanhas?

Levanto estes problemas porque eles não são teóricos. Eles são muito reais. E para os israelenses, eles são assuntos de vida e morte. Todas essas brechas potenciais na segurança de Israel têm de ser fechadas por um acordo de paz antes de um Estado palestino ser declarado, e não depois, porque se você deixar para mais tarde, eles não serão fechados. E esses problemas vão explodir na nossa cara e explodir a paz.

Os palestinos devem primeiro fazer a paz com Israel e, em seguida, ter o seu estado. Mas eu também quero dizer-lhes isso: depois de um acordo de paz como esse ser assinado, Israel não será o último país a acolher o Estado palestino como um novo membro das Nações Unidas. Vamos ser o primeiro.

E há mais uma coisa. O Hamas viola a lei internacional, mantendo nosso soldado Gilad Shalit preso por cinco anos. Eles não permitiram ainda uma visita da Cruz Vermelha. Ele é trancado em um calabouço, na escuridão, contra todas as normas internacionais. Gilad Shalit é o filho de Aviva e Noam Shalit. Ele é neto de Zvi Shalit, que escapou do Holocausto vindo ainda na década de 1930 como um menino para a terra de Israel. Gilad Shalit é o filho de cada família israelense. Cada nação aqui representada deve exigir sua libertação imediata. Se vocês querem aprovar uma resolução sobre o Oriente Médio hoje, essa é a resolução que você deve aprovar.

Senhoras e senhores, no ano passado em Israel, na Universidade de Bar-Ilan, este ano no Knesset (Congresso de Israel) e no Congresso dos Estados Unidos, eu expus a minha visão para a paz, na qual um Estado palestino desmilitarizado reconhece o Estado judeu. Sim, o Estado judeu. Afinal, esta é a entidade que reconheceu o Estado judeu há 64 anos. Agora, vocês não acham que é a hora de os palestinos fazerem o mesmo?

O Estado judeu de Israel sempre protegeu os direitos de todas as suas minorias, incluindo os mais de um milhão de cidadãos árabes de Israel. Eu gostaria de poder dizer a mesma coisa sobre um futuro Estado palestino, pois como as autoridades palestinas deixaram claro no outro dia – na verdade, eu acho que eles fizeram aqui em Nova York – eles disseram que o Estado palestino não vai permitir os judeus nele. Eles vão ser livres de judeus – Judenrein. Isso é limpeza étnica. Existem leis hoje em Ramallah que fazem a venda de terras a judeus punível com a morte. Isso é racismo. E vocês sabem o que essas leis evocam.

Israel não tem qualquer intenção de mudar o caráter democrático do nosso estado. Nós apenas não queremos que os palestinos tentem mudar o caráter judaico do nosso Estado. Queremos que eles desistam da fantasia de inundar Israel com milhões de palestinos.

O presidente Abbas esteve aqui há pouco, e ele disse que o núcleo do conflito israelense-palestino são os assentamentos. Bem, isso é estranho. Nosso conflito tem sido travado por quase meio século antes que houvesse um único israelense na Cisjordânia. Portanto, se o que o presidente Abbas está dizendo era verdade, então acho que os assentamentos de que está falando são Tel Aviv, Haifa, Jaffa, Beer Sheva. Talvez seja isso que ele quis dizer no outro dia quando ele disse que Israel vem ocupando terras palestinas por 63 anos. Ele não disse a partir de 1967, ele disse a partir de 1948. Espero que alguém vai se preocupar em fazer-lhe esta pergunta, porque ela ilustra uma verdade simples: o núcleo do conflito não são os assentamentos. Os assentamentos são um resultado do conflito.

Os assentamentos são uma questão que tem de ser abordada e resolvida no decorrer das negociações. Mas o núcleo do conflito sempre foi e, infelizmente, continua a ser a recusa dos palestinos a reconhecer um Estado judeu em qualquer fronteira.

Eu acho que é a hora de as lideranças palestinas reconhecerem o que todo líder internacional respeitável reconheceu, de Lord Balfour e Lloyd George, em 1917, ao presidente Truman, em 1948, ao presidente Obama há apenas dois dias aqui mesmo: Israel é o Estado judeu.

O presidente Abbas, deve parar de se esquivar desta questão, reconhecer o Estado judeu e fazer a paz conosco. Para uma paz tão genuína, Israel está preparado para fazer concessões dolorosas. Acreditamos que os palestinos não devem ser nem os cidadãos de Israel, nem seus súditos. Eles devem viver em seu próprio Estado livre. Mas eles devem estar prontos, como nós, para o compromisso. E nós saberemos que eles estarão prontos para o compromisso e para a paz quando começarem a levar a sério os requerimentos de segurança de Israel e quando pararem de negar a nossa ligação histórica à nossa antiga terra natal.

Eu ouvi muitas vezes eles acusarem Israel de “judaizar” Jerusalém. Que é como acusar a América do americanizar Washington, ou os britânicos de anglonizar Londres. Vocês sabem por que somos chamados “judeus”? Porque viemos da Judeia. No meu gabinete, em Jerusalém, há um selo antigo. É um anel de sinete de um oficial judeu do tempo da Bíblia. O selo foi encontrado ao lado do Muro das Lamentações, e isso remonta 2.700 anos, ao tempo do rei Ezequias. Agora, há um nome do funcionário judeu inscrito no anel em hebraico. Seu nome era Netanyahu. Esse é o meu sobrenome. Meu primeiro nome, Benjamin, remonta a mil anos antes de Benjamin – Binyamin – filho de Jacob, que também era conhecido como Israel. Jacó e seus 12 filhos percorreram essas mesmas colinas da Judeia e Samaria há 4 mil anos, e os judeus estiveram presentes nesta terra desde então.

E aqueles judeus que foram exilados de nossa terra, eles nunca deixaram de sonhar com a volta: judeus na Espanha, os judeus na Ucrânia, fugindo dos pogroms; judeus lutando no Gueto de Varsóvia, quando os nazistas os estavam cercando. Eles nunca deixaram de rezar, eles nunca deixaram de ter saudade. Eles sussurravam: No próximo ano em Jerusalém. No próximo ano na terra prometida.

Como o primeiro-ministro de Israel, falo por uma centena de gerações de judeus que foram dispersos pelas terras, que sofreram todo o mal sob o sol, mas que nunca perderam a esperança de restabelecer a sua vida no primeiro e único Estado judeu.

Senhoras e senhores, eu continuo a esperar que o presidente Abbas vai ser o meu parceiro na paz. Eu trabalhei duro para fazer a paz progredir. O dia em que tomei posse, pedi negociações diretas sem condições prévias. O presidente Abbas não respondeu. Eu esbocei uma visão de paz de dois Estados para dois povos. Ele ainda não respondeu. Tirei centenas de bloqueios e postos de controle, para facilitar a liberdade de deslocamento nas áreas palestinas, o que facilitou um crescimento fantástico da economia palestina. Mas, mais uma vez, sem resposta. Tomei a decisão sem precedentes de congelar novas construções nos assentamentos por dez meses. Nenhum primeiro-ministro fez isso antes, nunca. Mais uma vez, vocês aplaudiram, mas não houve resposta. Nenhuma resposta.

Nas últimas semanas, autoridades americanas têm proposto ideias para reiniciar as conversações de paz. Havia coisas nessas ideias sobre as fronteiras que eu não gostei. Havia coisas lá sobre o Estado judeu que eu tenho certeza que os palestinos não gostaram. Mas com todas as minhas reservas, eu estava disposto a avançar com estas ideias americanas. Presidente Abbas, por que você não se junta a mim? Temos que parar de negociar sobre as negociações. Vamos seguir em frente. Vamos negociar a paz.

Passei anos defendendo Israel no campo de batalha. Passei décadas defendendo Israel no tribunal da opinião pública. Presidente Abbas, você dedicou sua vida a promover a causa palestina. Esse conflito vai continuar por gerações ou vamos permitir que nossos filhos e netos conversem no futuro de como encontramos uma maneira de acabar com esses conflitos? Isso é o que devemos ter por objetivo, e é isso que eu acredito que podemos alcançar.

Em dois anos e meio, nós nos encontramos em Jerusalém apenas uma vez, apesar de minha porta estar sempre aberta para você. Se você quiser, eu vou a Ramallah. Na verdade, eu tenho uma sugestão melhor. Nós dois voamos milhares de quilômetros para New York. Agora estamos na mesma cidade. Estamos no mesmo edifício. Então, vamos nos reunir aqui, nas Nações Unidas. Quem está lá para nos impedir? O que há para nos impedir? Se realmente queremos a paz, o que há para nos impedir de nos reunirmos hoje e começarmos as negociações de paz?

E eu sugiro que falemos abertamente e honestamente. Vamos ouvir um ao outro. Vamos fazer como dizemos no Oriente Médio: Vamos falar “doogli”. Isso significa “diretamente”. Eu vou te dizer as minhas necessidades e preocupações. Você vai me dizer as suas. E com a ajuda de Deus, vamos encontrar um acordo comum de paz.

Há um velho ditado árabe que diz que não se pode aplaudir com uma mão. Bem, o mesmo é verdade para a paz. Eu não posso fazer a paz por mim, apenas. Eu não posso fazer a paz sem você. Presidente Abbas, eu estendo minha mão – a mão de Israel – em paz. Espero que você estenda a sua mão. Nós somos ambos filhos de Abraão. Meu povo o chama de Avraham. O seu povo o chama de Ibrahim. Partilhamos o mesmo patriarca. Nós vivemos na mesma terra. Nossos destinos estão interligados. Vamos realizar a visão de Isaías. “As pessoas que caminham na escuridão verão uma grande luz.” Deixe que a luz seja a luz da paz.

About these ads
 
2 Comentários

Publicado por em setembro 27, 2011 em Israel

 

2 Respostas para “Discurso de Benjamin Netanyahu na ONU

  1. Daniel Limaverde de Moura

    setembro 28, 2011 at 11:12 am

    Que discurso mais racional, inteligente, consistente, sem intempestividades porque baseado em fatos e não em boatos. Parabéns ao Primeiro Ministro Israelense.

     
  2. Eunice

    novembro 14, 2011 at 9:44 am

    Gostei bastante, do discurso, senti firmeza, que Israel quer a paz de qualquer jeito, porém, claro
    com sua segurança alicercada com muito compromisso de ambas as parte….

     

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 65 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: