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Mahmoud Abbas e o Jesus “arafático”

19 nov

Nunca houve um país ou uma nação árabe conhecida como “Palestina” durante os tempos de Jesus (tampouco em qualquer outra época). A terra era conhecida como “Iudaea” (Judéia) e seus habitantes eram “judeanos”, isto é, judeus.

No dia 23 de setembro de 2011, Mahmoud Abbas exigiu oficialmente que as Nações Unidas criassem o Estado árabe número 22 — o segundo, não o primeiro, Estado árabe dentro dos limites originais de 1920 do Mandato da Palestina. A Jordânia foi estabelecida depois de 1922 em uns 80% da área total.

Dentre outras ficções que Abbas incluiu em seu discurso estava sua negligência proposital em mencionar quaisquer dados históricos judaicos ligados à terra. Embora tenha mencionado Maomé e Jesus, ele deliberadamente deixou de citar o povo do qual Jesus fazia parte. Isso não aconteceu por acaso, de modo algum, mas foi parte de um padrão que os árabes têm demonstrado já há um bom tempo. Vejam bem, aviões não são as únicas coisas que Abbas e os seguidores de Arafat, seus predecessores, têm tentado seqüestrar. Sigam-me de perto para verem o que quero dizer.

“Ora, Jesus, tendo nascido em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes…”, é como se inicia a história do nascimento de Jesus no segundo capítulo do Evangelho de Mateus. Logicamente que, se muitas das igrejas politicamente corretas e outros líderes atuais estivessem escrevendo este relato, ele indubitavelmente seria lido de maneira um pouco diferente.

Mas, por favor, observem que a localização é Belém da Judéia, e não a “Margem Ocidental”, e não a “Palestina”, mas a terra da Judéia dos judeus.

Voltando o relógio um pouquinho para trás, quando começou o ano de 2003, Irineos, o metropolita grego-ortodoxo, buscou ser designado como o Patriarca de Jerusalém. Cartas com a assinatura dele para o falecido vampiro egípcio — Yasser Arafat, amigão, companheiro e colega terrorista de Mahmoud Abbas, o atual queridinho do Ocidente — continham, dentre outras coisas, o seguinte:

Vocês estão conscientes da (…) repugnância que todos os padres do Santo Sepulcro sentem pelos descendentes daqueles que crucificaram nosso Senhor Jesus (…), que crucificaram o povo de vocês (…), os judeus conquistadores da Terra Santa Palestina.

Posteriormente, Irineos afirmava que sua carta, datada de 17/6/2001, revelada no jornal israelense Maariv, era um documento falsificado. Infelizmente, havia em circulação muitos outros documentos do mesmo teor.

É uma pena, mas a atitude de Irineos não é algo incomum entre muitos cristãos — tanto no Oriente Médio quanto em qualquer outro lugar.

De fato, a citação acima é quase a mesma que as freqüentemente proferidas pelo arcebispo greco-católico de Jerusalém, Hilarion Capucci, há algumas décadas. Portanto, é seguro pressupor que muitos compartilham das mesmas crenças.

Algumas pessoas simplesmente herdaram-nas dos tradicionais ensinamentos cristãos e as modificaram. Outras, sentindo-se expostas e vulneráveis em meio a populações dominantes de muçulmanos real ou potencialmente hostis, buscaram pontos de concordância com seus próprios perseguidores, voltando o enfoque para o demônio favorito comum entre todos: o povo judeu.

Os cristãos tiveram um papel importante no nascente movimento nacionalista árabe nos séculos XIX e XX, e a explicação acima foi certamente um dos principais fatores de motivação. Isso não foi diferente de alguns judeus que tentaram ser absorvidos sob o guarda-chuva potencialmente inclusivo e protetor de vários movimentos socialistas na parte cristã da Europa em torno da mesma época.

Durante uma visita anterior do papa a Israel, a mídia relatou um dos freqüentes comentários sobre o assunto feito por Arafat, finado chefe e colega de Mahmoud Abbas. Falando sobre o apóstolo Pedro, Arafat explicou a identidade de Pedro e seus companheiros como sendo supostamente “palestina”’, isto é, não judaica. Ultimamente, os sucessores de Arafat também gostam de repetir essa explicação. Na verdade, esta foi a mensagem de Abbas em suas observações sobre Jesus às Nações Unidas no dia 23 de setembro.

Muito bem, chega das quimeras árabes. Passemos a uma checagem da realidade.

Nunca houve um país ou uma nação árabe conhecida como “Palestina” durante os tempos de Jesus (tampouco em qualquer outra época). A terra era conhecida como “Iudaea” (Judéia) e seus habitantes eram “judeanos”, isto é, judeus.

Sinto-me obrigado, muitas vezes, a relembrar às pessoas, que Tácito, Josefo, e Dio Cássio foram famosos historiadores romanos, ou comissionados pelos romanos, que escreveram extensivamente sobre a tentativa da Judéia de permanecer livre da “União Soviética” de seus dias, o Império Romano conquistador. Eles viveram e escreveram não muito tempo após as duas principais revoltas dos judeus em 66-73 d.C. e 133-135 d.C. Observe que eles não fizeram nenhuma menção de que essa terra fosse chamada “Palestina”, nem que seu povo se chamasse “palestino”. E eles também sabiam a diferença entre judeus e árabes.

Meu objetivo é que essa citação se torne um mantra virtual para muitos leitores, pela importância das implicações de seu conteúdo na discussão desse tópico, quando pessoas como Mahmoud Abbas tentam afirmar direitos aborígenes para sua versão de “palestinos”.

Segue uma das muitas passagens do Volume II, Livro V, das Obras de Tácito:

Tito foi designado por seu pai para completar a subjugação da Judéia. (…) Ele comandou três legiões na própria Judéia. (…) A estas ele acrescentou a vigésima, vinda da Síria, e a terceira e a vigésima segunda, vindas de Alexandria. (…) Dentre seus aliados estava um grupo de árabes, terríveis por si mesmos e manifestando contra os judeus a amarga animosidade que geralmente existe entre nações vizinhas.

Depois da Primeira Revolta, Roma cunhou milhares de moedas Judaea Capta (Judéia Capturada), que hoje podem ser vistas em museus por todo o mundo. Observe, por favor: “Judaea Capta”, e não “Palaestina Capta”. Na capa do meu livro[1] aparece a foto de uma dessas moedas.

Além disso, para celebrar essa vitória, o Arco de Tito foi erigido e permanece em Roma até os dias atuais.

Quando, uns sessenta anos mais tarde, o Imperador Adriano decidiu profanar o local do templo destruído dos judeus, erigindo ali uma estrutura pagã (não diferente da revolta dos Macabeus alguns séculos antes contra o Imperador Antíoco, que era sírio-selêucida), foi a vez dos netos lutarem contra seus poderosos conquistadores.

O resultado da luta dessa pequenina nação por sua liberdade e independência foi, talvez, tão previsível quanto os resultados que teriam ocorrido se a Lituânia tivesse lutado contra a União Soviética durante seus dias de glória e de poder. O que segue é uma citação de Dio Cássio referindo-se à destruição de toda a 22ª Legião Romana:

580 mil homens foram mortos, quase toda a Judéia ficou desolada. Muitos romanos, também, pereceram nessa Guerra (a revolta de Bar Kochba). Portanto, Adriano, ao escrever ao Senado, não empregou a frase de abertura comumente utilizada pelos imperadores: “Eu e as legiões estamos com saúde”.

O Imperador estava tão enfurecido com a luta dos judeus por liberdade que, nas palavras do famoso historiador moderno Bernard Lewis, “Adriano fez uma tentativa determinada de aniquilar os símbolos não apenas da revolta, mas também da nação e do Estado judeus, (…) destruindo sua identidade judaica”.

Desejando eliminar de uma vez por todas as esperanças dos judeus, Adriano deu novo nome àquela terra, passando de Judaea a “Síria Palaestina” — ou Filístia (Palestina) — lembrando os inimigos históricos dos judeus, os filisteus, um povo não-semítico vindo da área em torno de Creta.

Sinto muito, Mahmoud e amigos de Arafat, mas seqüestrar a identidade dos filisteus — assim como vocês e outros têm tentado fazer com relação à de Jesus e à dos judeus — também não funcionará.

Tudo isso ocorreu após 135 d.C., ou seja, depois da derrota do líder carismático da Judéia, Shimon Bar Kochba.

E, como aconteceu com a descoberta estonteante (por um jovem pastor árabe) dos Manuscritos do Mar Morto, praticamente no exato momento do renascimento de Israel cerca de seis décadas atrás, as cartas de Bar Kochba a suas tropas, suas moedas cunhadas com a expressão “Pela Liberdade de Israel”, e outros tesouros arqueológicos, também foram logo descobertos (…) um presente de Deus para prenunciar a miraculosa ressurreição da nação judaica.

A “Palestina”, mais tarde, tornou-se amplamente “árabe”, da mesma forma que aconteceu com a maioria dos vinte e um Estados que se denominam “árabes” atualmente: (…) por meio de conquista, ocupação, e de uma arabização forçada de outros incontáveis milhões de nativos, povos não-árabes e suas terras. Os exércitos imperiais dos califas de Maomé e de seus sucessores irromperam através da Península Arábica no século VII d.C., se espalharam e formaram colonizações em todas as direções.

Do século XIII em diante, os árabes perderam o controle de grande parte, se não de todas as suas conquistas (do período imperial e dos califas) para os mongóis, os mamelucos e uma diversidade de turcos. E quando os impérios dos próprios árabes estavam dominando, era a partir de Damasco ou de Bagdá. Repetindo: nunca, jamais, houve uma entidade árabe independente chamada Palestina, nem mesmo naqueles tempos idos.

A despeito das quimeras árabes, os turcos otomanos foram os últimos, em uma longa série de conquistadores imperiais, a governar a terra desde que os judeus e o Reino da Judéia lutaram por sua liberdade contra Roma. Eles governaram por cerca de quatro séculos até o final da Primeira Guerra Mundial.

Logo a seguir, durante o Período do Mandato, a Comissão dos Mandatos Permanentes da Liga das Nações registrou a contagem de milhares de árabes afluindo para a amplamente despovoada Palestina, vindos das terras circunvizinhas para aproveitar o desenvolvimento econômico que estava ocorrendo devido à presença dos judeus.

Muito mais árabes entraram clandestinamente e nunca foram registrados. Todos esses supostos “palestinos nativos” foram precedidos, no século XIX, por milhares de egípcios, que vieram com os exércitos invasores de Muhammad Ali e de seu filho Ibrahim Pasha, e nunca mais saíram daquele lugar (…) com mais árabes colonizadores se estabelecendo nos assentamentos na Palestina. O próprio Arafat foi, mais tarde, um deles (nasceu no Cairo, no Egito). O mesmo aconteceu com o “santo padroeiro” do Hamas, xeque Izzedin al-Qassam (que dá nome aos foguetes e à brigada terrorista) (…); ele veio de Latakia, na Síria.

É o que basta lembrar sobre o suposto Jesus “palestino”, não “judeu”, de Mahmoud Abbas. (…) De fato, os árabes têm uma expressão que descreve esse tipo de coisa. É chamada “taqiyya” — uma mentira deliberada para fazer a causa deles avançar.

Seria importante que o restante do mundo se lembrasse disso quando tivesse que julgar questões que surgem na política árabe-israelense.

Nota:

1. The Quest for Justice in the Middle East (A Busca por Justiça no Oriente Médio) – http:/q4j-middle-east.com.

Gerald A. Honigman é um educador que realizou profundos estudos acadêmicos sobre as questões do Oriente Médio. Ele criou e conduziu numerosos programas de contestação à propaganda árabe em escolas, universidades e outros locais, tendo realizado muitos debates públicos com porta-vozes árabes. Seus artigos têm sido publicado em dezenas de revistas, jornais e sites em todo o mundo.

 
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Publicado por em novembro 19, 2011 em Judeus

 

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